Sarajevo: Cicatrizes de uma guerra sem sentido.

26 de agosto de 2011


O ônibus chegou cedo em Sarajevo, comecei a conversar com um casal de dinamarqueses que estavam tão perdidos quanto eu e resolvemos sair para perguntar. Fácil falar, difícil de fazer: Ninguém lá fala inglês, e não havia nada que pudéssemos fazer para eles nos entendam, ainda mais quando estão bêbados que nem porcos. Demorou ate achar o primeiro que nos ajudasse, insistimos que queríamos ir andando e ele dizia que era melhor não... ninguém deu ouvidos, fomos a pé seguindo a linha do trolebus. Andamos uns 5 kilometros até desistir e pegarmos o primeiro trolebus que não nos cobrou. Posteriormente descobrimos que a distância era de uns 11 km, impraticável com uma mochila nas costas, o bêubo da rodoviária estava certo.

Chegando no centro da cidade achamos um hostel que não era lá essas coisas de caro e todos estavam muito interessados em cair no sono, a opção mais barata era ficarmos nós três no mesmo quarto, o que me fez sentir um pouco estranho afinal eles eram um casal com um terceiro no quarto.

Acordamos em horários diferentes e acabamos seguindo caminhos diferentes. No final passamos apenas uma noite juntos, não peguei o contato deles, então sabíamos que não nos veríamos nunca mais.
No intervalo fui dar uma volta na cidade. Era extremamente comum encontrar buracos nas paredes, o motivo era a Guerra que aconteceu há uns 15 anos. Quando a cidade foi cercada por tropas da Sérvia por quase três anos. Uma barbaridade medieval.


A cidade em si é bastante turística e oferece aos visitantes uma série de atrações que vão desde gastronomia city tours focados nos tempos de guerra. No meu caso acabei ficando apenas com o city tour gratuito que por si só foi bem interessante.
Manchas deixadas para lembrar do sangue de inocentes derramado no local.




Mais tarde, fui ver o pôr do sol no alto de um monte. Lá estava acontecendo algum tipo de evento que eu não estava entendendo direito. Quando aconteceu o por do sol, houve lançamento de fogos de artifícios e ao mesmo tempo que se iniciavam as orações noturnas. Mais tarde descobri que isso acontecia por causa do ramadã, e aqueles fogos marcavam o final do jejum diário dos muçulmanos.




Acabei trocando de hostel para um mais bem organizado e equipado, um excelente hostel.
De noite, fiquei de papo com um grupo de várias pessoas nativas de países de língua inglesa e me surpreendi pelo fato de não ter perdido muito o assunto. O único detalhe é que sendo o único não nativo em um grande grupo desses é um pouco intimidador, mas nada que uma garrafa ou duas de cerveja não resolva.

No dia seguinte fui até o museu do túnel que era a única ligação da cidade de Sarajevo com o mundo na época que a cidade estava cercada. O museu é bem simples, mas tinha um trecho do túnel que podíamos passar por dentro. E ao fazê-lo senti uma certa sensação de estranheza e lamento pelo tipo de coisa que as pessoas precisam passar por causa de guerras sem sentido.



Mais à noite, segui para a rodoviária onde seguiria viagem para Belgrado, capital da Sérvia. Enquanto aguardava o horário, acabei de papo com uma coreana (elas me perseguem) muito simpática e de um charme memorável. Ela não tinha reservado hostel por lá e acabamos combinando de procurar um juntos.

O ônibus seguiu viagem e chegando na fronteira surpresa: brasileiros precisam de visto e como eu não o tinha eu teria que voltar. Fiquei muito puto, afinal tinha lido uma notícia na folha dizendo que vistos não eram mais necessários (obrigado Folha de São Pulo, na próxima vez lembre de citar que o acordo ainda precisa ser aprovado nos congressos de ambos os países). Conclusão: acabei pegando carona em um outro ônibus de volta para Sarajevo e adeus coreana gracinha.

Nem fui atrás de outro Hostel, fiquei zanzando o dia inteiro com a mochila. Primeiro fui na embaixada da Sérvia tentar tirar um visto. O segurança me fez deixar a mala na rua. Chegando no balcão, surpresa (é foram várias no mesmo dia): o visto leva mais de um mês para sair e ainda custava uma bela grana. Só podia ser palhaçada, disse adeus às minha intenções de conhecer a Sérvia.

Bom, se eu não podia ir para a Sérvia, o único caminho possível seria contornar a Sérvia pelo sul. Montenegro seria mais uma vez o meu destino, mas dessa vez a intenção era ir só de passagem, mas meus planos mudariam graças a uma grande pessoa que conheci na rodoviária.


Kotor, um pedaço de paraíso em Montenegro.

21 de agosto de 2011


Acabei me juntando ao Alessandro, um italiano gente fina que conheci no hostel em Dubrovnik, para ir até Montenegro. Mas antes de seguir viagem com o Alessandro, reslvemos passar no mercado e comprar umas porcarias para comer. Ele era um cara com estilo saudável, o que acabou de certa forma influenciando as minhas compras também. Fomos para o ônibus com todo o material para sanduíche, um detalhe importante: na hora de comprar o bilhete acabei esquecendo o meu livro sobre a Europa no balcão, junto com o guia, ficou também o meu chapéu.
Dentro do ônibus conhecemos duas Nova Zelandesas, Cleo e Talita, que também seguiam para Kotor, quando chegamos lá acabamos por decidir procurar por acomodação juntos, o que certamente diminuiria valores. Na rodoviária, havia uma ferrenha competição entre as pessoas para pegar os turistas para suas casas. Escolhemos aquela que nos pareceu a melhor e seguimos viagem.
No caminho para o apartamento o porta-malas abriu derrubando na rua todas as malas. Demorou alguns segundos para a motorista se ligar no que houve e parar o carro. Claro que as malas na avenida acabaram causando um pandemônio no trânsito, por sorte não rolou nenhum acidente. A minha mala tinha ficado no meu colo e não caiu, assim então eu só fiquei dando risada enquanto corria para ajudá-las. Após o primeiro estado de nervoso as meninas acabaram se juntando a mim nas risadas.
Naquela noite tentamos ir em uma festa mas além de ter de pagar para entrar, parecia estar um pouco vazia demais. Acabamos voltando para o apartamento onde bebemos algumas deliciosas misturas feitas pela Talita.
Quando amanheceu pudemos ver pela janela a linda paisagem de Kotor, e eu não pude deixar de lembrar da paisagem da Noruega.

No dia seguinte uma subida a montanha mais alta na qual ficava o mausoléu de um antigo rei de Montenegro. O lugar é lindo e segundo dizia-se podia-se ver a Itália de lá, não sei se conseguimos ver ou o fato de querer ver algo fez-nos pensar ter visto algo. Só o caminho até lá já valia a viagem.
O caminho até lá

A turma toda

O melhor pêssego que já comi na vida

O mausoléu

Naquela noite mais algumas misturas e música no apartamento, seria a última noite de todos nós naquela cidade, então a despedida rolou antes de dormimos, afinal as meninas iriam sair cedo e eu e o Alessandro iríamos não muito depois.
Quando acordamos na manhã seguinte, as meninas já haviam ido. Eu e o Alessandro caímos na estrada com destino a Ulcinj, no sul de Montenegro.
Ulcinj não tem nada de muito especial apenas algumas praias, coisa que eu não vou muito com a cara. E ainda são uma das piores que vi. Lotada, água parece suja, areia feia.



Montenegro é um país bastante montanhoso com uma costa cheia de praias maravilhosas. Mas o melhor de Montenegro são as pessoas, muito gentis, atenciosas e alegres. Em Ulcinj quase ficamos em uma casa familiar onde eles alugam quartos, o problema é que era meio caro e acabamos achando uma pensão por 15 € os dois. Foi com dor no coração que não voltamos na casa de família mas... Money is money.

Foi em Ulcinj que percebi que o meu plano de ficar um mês nos balcãs ir para a Inglaterra e seguir por terra até a Grécia parecia ser muito estúpido e caro. Um mês no Reino Unido sairia muito caro e o plano era voltar para a mesma região que eu já me encontrava, muito mais esperto seguir viagem até o Egito onde eu poderia adiantar um trecho importante do plano original.

Depois de dois dias em Ulcinj me despedi do Alessandro e segui viagem para Sarajevo na Bósnia, tinha que fazer uma parada em Podgorica, capital de Montenegro, queria pegar um ônibus noturno o que me daria tempo de conhecer a cidade, mas como ali não tinha nada o melhor seria ir para Cetinje (se lê Cetinie), antiga capital, lá haviam alguns museus interessantes.

Chegando lá percebi que havia esquecido em Kotor o meu carregador móvel, um esqueminha muito esperto que permite carregar i-Pod, GPS e qualquer coisa que necessite de uma porta USB. Fiquei muito puto. A minha frustração chamou a atenção do Nino e da Aurelie.


O Nino organiza em Montenegro grupos de voluntários estrangeiros para trabalhos como recolhimento de lixo em áreas públicas etc. Eram pessoas muito legais e acabei me juntando a eles no passeio nos museus junto com todos os outros voluntários. Pessoas muito especiais com as quais passei o resto da tarde, infelizmente não tirei nenhuma foto com eles.

Voltei para Kotor na tentativa de recuperar o meu carregador. Encontrei na rodoviária a mulher que cuidava da pensão que estive, mas segundo ela ela não encontrou, mas eu sabia que ela estava mentindo porque ela estava muito interessada em saber a função e preço de algo que ela não encontrou. Deu muita raiva, mas não tinha o que discutir ali, perdi o meu carregador.

Pequei mais tarde o ônibus para Saraievo, mas antes disso meu estômago estava meio ruim e precisei chamar o Hugo no banheiro.

O roteiro na montanha:


De Kotor a Ulcinj


De Ulcinj para Sarajevo

Dubrovnik - Uma linda cidade desagradável

14 de agosto de 2011



Cheguei em Dubrovnil na Croácie e a primeira coisa que me chamou atenção é a língua, completamente ininteligível para mim. Pelo menos a escrita é praticamente a mesma.
No Aeroporto troquei o dinheiro que tava sobrando da Noruega, da Suécia e mais 5 euros que eu ganhei de alguém em algum lugar, nada mal eu tava com uma graninha local agora.
Peguei um ônibus até o centro da cidade. O caminho cortava monntanhas enormes que caiam para dentro do mar, a paisagem de certa forma me lembrou a Noruega, exceto pelo clima que estava perfeito.
Não tinha lido praticamente nada sobre Dubrovnik então as muralhas que vi pela janela foram uma completa surpresa, eram enormes e lindas, tentei pegar alguma foto pela janela do ônibus, mas não deu certo.

Chegando na cidade, minha nossa: quanta mulher bonita! O lugar quase consegue alcançar a Suécia neste quesito, mas um detalhe importante, a maioria destas mulheres eram turistas endinheiradas, o que aumenta bem o patamar. Mas se olhar somente as locais (que são poucas) ainda se vê muitos rostos bonitos.
Dei uma caminhada para encontrar um Hostel e acabei achando um não muito barato, os preços daqui variam muito com a chegada da temporada de verão (a que estamos) no inverno, os preços caem pela metade.
Fui logo para o centro histórico e suas muralhas, e após uma caminhada de uns 20 minutos cheguei em suas muralhas. Que lugar fascinante!

O centro histórico de Dubrovnik possui paredes altas de pedras brancas que brilham amareladas com as lâmpadas incandescentes. As ruas ficam forradas de turistas até altas horas da madrugada, gente de todas idades e de todos os povos. A maioria pelo que pude perceber era composta de turistas italianos.
Peguei o endereço de alguns bares e saí caminhando pela cidade.

Percebo claramente uma mudança de foco em mim desde que comecei a viajar. Inicialmente achava o máximo andar quilômetros atrás de quilômetros em lugares forrados de turistas, porém, depois de passar tanto tempo na companhia de locais em cidades pequenas e fora dos roteiros turísticos, percebo o quão vazia é a viagem nestes grandes centros turísticos.
Explico melhor: em locais turísticos, boa parte da economia local e dos moradores dependem do dinheiro de turistas. Desta forma, quase sempre que um morador local nos olha ou puxa assunto é por que está nos vendo como uma carteira ambulante. Não estão interessados em saber quem somos, estão apenas interessados em nosso dinheiro.
Quando viajo em cidades pouco turísticas, existe uma curiosidade natural das pessoas em ter contato com outras culturas, assim, fica muito mais fácil entrar em contato com a cultura local, de ver como as pessoas vivem, saber de suas histórias e pensamentos.
Comida local, vc come na casa das pessoas, em restaurantes o cardápio é totalmente diferente ainda mais quando o restaurante está cheio de turistas.
Voltei ao hostel com a intenção de sair desta cidade o mais rápido que puder. A cidade é maravilhosa, mas se eu quiser conhecer italianos, viajo para a Itália.

No dia seguinte, uma caminhada pelas muralhas que eram muito bonitas. Essa foi, na verdade a única coisa que fiquei com vontade de fazer antes de cair fora daquela cidade.


Voltei no Hostel, conheci o Alessandro, um italiano muito gente fina com muitos países no currículo, ele estava indo para Montenegro e perguntou se eu queria acompanhá-lo, bem, na falta de plano melhor, resolvi ir com ele. O destino: Kotor.

O roteiro do segundo dia:

Comoção em Oslo

13 de agosto de 2011


Chegando em Oslo, peguei um trem até o centro da cidade, a estação central estava em obras, acabei pegando um ônibus até lá.

A cidade de Oslo é toda arrumadinha, limpa e organizada. Um belo cenário para a longa caminhada para busca de hostel. Eu peguei algumas sugestões na Internet e fui atrás delas. O primeiro deles era bem longe do centro, preferi ir caminhando. Chegando por lá, o hostel era na verdade um hotel caro porém com alguns quartos baratos, cheguei a fazer o check in, era meio caro, mas trata-se de Oslo, normal. Fui no quarto, eram quartos individuas, com televisão e tudo o mais, muito luxuoso para o meu gosto, comecei a me arrepender. Abri o computador e nada de internet. Fui até a recepção e eu teria que pagar uma taxa extra de 7 euros para usar a internet, isso foi a gota d'água, pedi para cancelar o check-in e fui para outro lugar. Agora seguiria a sugestão do Lonelly Planet e acabei acertando, um excelente hotel, bastante central, com internet gratuita e mais barato que o anterior.

Terminado o processo de acomodação, o objetivo agora seria seguir passeio pela cidade, eu só teria um dia para Oslo, então eu tinha que fazer valer  pena. Segui caminhando pela rua e uma coisa me chamou a atenção, flores espalhadas por diversos monumentos da cidade, eu sabia o motivo.
Cheguei na Catedral, e vi algo que me emocionou.

Os moradores e visitantes de Oslo mostravam sua comoção pelas mortes ocorridas na semana anterior, quando um extremista político covarde bombardeou o centro da cidade e em seguida matou dezenas de jovens em uma ilha próxima a Oslo.

Quando cheguei à Noruega, algo que havia me chamado a atenção é o certo afastamento que os noruegueses mantém-se de uma identidade nacional. Esse atentado, porém, fez com que, pela primeira vez, eu ouvisse a expressão "nosso país" de forma não perjorativa.

Esse cenário de certa forma diminuiu muito o meu clima de sair para explorar a cidade, além de fazer isso sozinho (algo que passei a não curtir muito), mas, estava em Oslo, sem planos de voltar tão cedo, me arrependeria se não seguisse o passeio e foi isso que fiz.

Em Oslo, assim como em várias cidades européias,  há disponibilidade de bicicletas em vários pontos da cidade, no qual, para alugar, é necessário um cartão que é quase gratuito para moradores e muito barato para turistas. Paguei cerca de 8 € para 24 horas de bicicletas.

Bicicleta é uma forma muito prática de conhecer uma cidade, pode-se deslocar muito mais rapidamente de um ponto para outro, o que agiliza muito o processo de conhecer a cidade. Fui em uma espécie de fortaleza que contava com uma vista fantástica da cidade. Fui até o museu de embarcações vikings outro de tradições culturais, porém descobri uma falha importante no sistema de bicicletas, há vagas limitadas nas estações de bicicletas, se a estação está cheia, não há como deixar a sua bicicleta. No final, acabei esperando um bocado, ninguém veio pegar bicicleta e eu acabei voltando para Oslo sem ter visto o museu, e o caminho era longo, cerca de uns 5 km.


Não fiz muito mais naquele dia. Tentei encontrar uma festa para ir, mas balada sozinho é meio chato, e a turma do hostel não tava muito no clima. Acabei ficando de papo com um grupo de alemães que estava no mesmo quarto que eu e fui dormir para tentar acordar cedo e explorar mais a cidade no dia seguinte.
Acordei tarde, sem pique para passeio, fui para o aeroporto com destino a Dubrovnik, Croácia.

O roteiro do primeiro dia:

Muita sorte em Sortland!

7 de agosto de 2011


Encontrei o Tom em um bar/restaurante na beira da estrada próximo ao Museu Viking em Borg. Ele chegou dizendo que era músico e que iria tocar naquela noite naquele mesmo bar e que eu tinha que ficar. Meu plano era seguir viagem e não tava muito a fim de acampar por ali. Mas ele insistiu, o show ia ser demais, várias mulheres e além disso, ele tinha cerveja aos montes em seu próprio ônibus. Bem, esse foi um excelente argumento, resolvi ficar.
Chegando lá, conheci um monte de gente que o acompanhava. A Lena, uma mulher que quase não abria a boca. A Marthe, filha do Tom, que falava aos montes, menos comigo, a desculpa era que não falava inglês, OK. O Kato, que era muito gente fina, mas bebia muito além de usar aquelas paradas de tabaco nojentes. Por fim conheci o Lemart, parceiro musical do Tom, parceirão de papo.

O Tom parece que curtia ajudar viajantes, disse que no passado ficou com um casal de Israel por quase 15 dias, e os conheceu do mesmo jeito que eu, na estrada.
A dupla Tom & Lemart fazem shows aos montes. O Lemart toca violão e guitarra enquanto o Tom canta, toca baixo, lança os samplers, organiza shows e ainda pega mulher aos montes no tempo livre.



O show daquela noite foi bastante divertido, ficamos de papo no bar com um monte de gente. A curiosidade geral era saber o que um brasileiro fazia naquele fim de mundo. Dormi no ônibus e no dia seguinte o programa era guardar os equipamentos, andar 20 km com o ônibus e montar todo o equipamento novamente para o outro show.

O Tom comentou que haveria três shows no próximo final de semana e que se eu quisesse poderia ficar hospedado em sua casa até lá. Ah, detalhe, o último show seria para um grupo de 300 mulheres que escalariam uma montanha próxima. Impossível dizer não.
Naquele dia o momento mais interessante foi ver o Kato brigando com um cara que tava pegando a Marthe, filha do Tom e sua ex-namorada. No final, o Kato que estava bebaço levou a pior e ganhou um corte sangrento no rosto.
No dia seguinte, pé na estrada para Sortland, uma cidade localizada em uma ilha próxima a Lofoten. A cidade não tem muito a oferecer para turistas, então boa parte do programa daquela semana era ir ao bar tomar umas cervejas, que aliás eram caríssimas, cada uma por volta de 5 €.
Sim, os bares tem cobertores para segurar o frio...

Não canso de lembrar da paisagem belíssima da Noruega, com suas montanhas enormes. Vale lembrar que ao contrário dos dias em Lofoten, o clima estava muito bom, céu azul e um baita calorão (padrões Noruegueses, claro).

O Tom mora sozinho, mas sozinho em casa, pelo visto ele não fica nunca. Toda hora tinha gente por lá, fazendo churras, bebendo cerveja e fazendo festa.
Outro programão que fizemos algumas vezes era ir à casa de campo do Tom e de sua família. Lá encontrávamos o pai do Tom, um senhor muito simpático cujo o papo interessante me fez acompanhá-lo na bebida o que teve consequências desastrosas. Além dele, estava sempre por lá o filho do Tom, um garoto de 11 anos muito esperto.

O destaque para o primeiro dia por lá foi a pescaria. Eles possuem um barco adaptado para pesca, minha última tentativa de pesca com a Jy foi um desastre, então essa, com profissionais, tinha que funcionar. E funcionou, pesquei pelo menos uns cinco peixões que naquela noite viraram janta, servidos com batata. Excelente.


Ali na casa de campo, eles tinham todo um arsenal utilizado para caça (que na Noruega é liberada), tinha de tudo por lá, desde pistolas de pressão até calibre 12, com a qual dei alguns tiros... Bem louco!
O dias na Noruega passavam rápido dada toda a diversão que tinha por lá. Mas havia uma coisa me incomodando: o visto Europeu.
Na Europa, brasileiros podem permanecer por até 90 dias. Quando me dei conta da situação delicada que me encontrava faltavam apenas 7 dias para o vencimento do meu visto. Procurando pela internet, não há muita referência ao que pode acontecer no caso de ultrapassar esse limite, parece depender muito do oficial que me pegar na saída, pode não acontecer nada, posso ser banido da Europa e não poder nunca mais voltar. Na dúvida, decidi por não ultrapassar o limite, comprei o tíquete mais barato possível para fora da área de Schengen (zona de livre fronteiras) o país escolhido foi a Croácia, paguei 58 € pelo bilhete.
A despedida do Tom foi bastante legal. Ele fez um excelente bacalhau, bebemos várias, caminhamos com toda uma galera para um acampamento no alto da montanha e ficamos de papo até umas 3 horas e pouco da manhã quando eu ganharia uma carona da gentilíssima Rita até o aeroporto.
Bacalhau e Periquita!

O caminho até o aeroporto foi marcado por um nevoeiro muito bonito.



A próxima parada antes de seguir para a Croácia seria Oslo, palco de uma chacina alguns dias antes. Eu já poderia esperar uma cidade com uma atmosfera pesada e foi exatamente isso o que encontrei.

Encontros e reencontros em Lofoten, paraíso gélido da Noruega

3 de agosto de 2011


Foi interessante reencontrar um parceiro de viagem, ainda mais quando esse alguém é a Jae Yeon (Jy), uma viajante que conheci em Madrid com a qual explorei a cidade e região. Mas agora a viagem seria um pouco diferente, estávamos indo para Lofoten, um arquipélago composto por 4 grandes ilhas no norte da Noruega, lugar que havia sido recomendado a mim mais de uma vez. Ainda mais diferente pois neste caso a ideia seria acampar, algo muito diferente da vida de hostel com a qual ela estava acostumada.
Conversando com um pessoal no ônibus definimos o nosso destino, Henningsvar uma pequena vila de pescadores. No caminho de aproximadamente 5 horas, pudemos colocar boa parte do assunto em dia desde que nossos caminhos se separaram.
Chegando na vila, pudemos apreciar aquela bela paisagem de ilhas montanhosas banhadas pelo frio Mar do Norte. Fomos a um restaurante que nos havia sido recomendado, a ideia seria coletar o máximo de informação possível, especialmente porque a Jy queria porque queria pescar.

Faltou um detalhe importante, estava um frio de rachar, com direito a garoa e tudo mais. A ideia da Jy era de ver o sol da meia noite, mais o máximo que dava para ver naquela noite era o céu nublado da meia noite.

Resolvemos sair para procurar lugar para acampar. Na Noruega e Suécia, pode-se acampar em qualquer lugar, e a ideia era justamente essa, qualquer lugar, bastava encontrar uma grama e lá que iríamos montar o acampamento. Havia um lugar que nos falaram que ficava a uma caminhada de uns 1,5 km, e para lá que fomos.
No caminho encontramos um casal super simpático que achou graça pelo fato de a Jy estar carregando uma daquelas malas de rodinha e ao mesmo tempo querendo acampar (o que mostrava o total despreparo dela para esse tipo de aventura).
De noite, um frio de uns 5°C, merece menção especial o meu saco de dormir salvador que deixou a hora de dormir confortável como um dia quente de verão.

No dia seguinte fomos tentar pescar, caminhamos até a vila para comprar todo o material de pesca, além de alguma comida.

Fomos pescar em uma plataforma e para a nossa surpresa o casal do dia anterior veio ao nosso encontro, desta vez nos convidando para almoçar com eles no restaurante ao lado, onde eles estavam nos observando em nossa tentativa frustrada de pesca. Comi um delicioso bacalhau norueguês (que em norueguês é chamado bacalau). Ao final fomos com eles até sua casa onde eles nos deram alguns casacos para enfrentarmos o frio com mais preparo. Me impressionou tamanha generosidade para com desconhecidos.
Tudo pronto para continuar a nossa pesca, fomos até uma ponte onde havia um casal pescando. A pesca, devo dizer, não foi tão bem sucedida. Em menos de dez minutos perdemos todos os anzóis que tínhamos enroscados em pedras. Felizmente havia ao nosso lado um casal que nos doou dois peixes que ainda se mexiam.
Voltando ao acampamento, acendi uma fogueira  assamos os peixes, junto com batatas, um bife, camarões, uma refeição de primeira. Mas ainda estava lá o frio para estragar qualquer possibilidade de jantar.

Apesar de a ideia inicial ser de seguir até Reine ainda em Lofoten, o frio desanimou a Jy a continuar viajando por ali, ela decidiu voltar para Narvik e seguir de trem até Estocolmo. Uma pena pois, conforme previsto pela Lei de Murphy, após a sua partida, o céu se abriu e o sol começou a brilhar forte. Eu continuei com o meu plano inicial e segui para a próxima parada a cidade de Borg, onde fica o museu Viking.
O lugar é uma tentativa de reconstrução de vida dos antigos Vikings que habitavam toda a Escandinávia e tinham em Borg, o que parecia ser um grande centro de poder.



Saindo do museu, fui comer um bife de baleia. Oportunidade única. A carne tem uma textura esquisita e um sabor forte que lembra um pouco carne de cordeiro. E na saída, comecei a conversar com um cara que mudaria meus planos de seguir em Lofoten, seu nome era Tom e a história continua no próximo post.

O roteiro: