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Post de desatraso, do Marrocos à Amsterdã!

16 de junho de 2011

Estou bastante atrasado com o Blog, por isso vou contar apenas os highlights até o momento.
Saí de Meknes e fui até Chefchoauen, uma cidade montanhosa no norte do Marrocos. A cidade é cercada de montanhas e tem uma paisagem muito bonita.



Segui de lá direto para Tanger, e de lá de volta para a Espanha, antes disso comprei uma panela de Couz-Couz marroquino para a minha prima (ela adorou).
Chegando em Tarifa, estava com tempo, fui dar uma volta pela cidade. Nada de mais, pelo menos naquele momento. Fui para a rodoviária para pegar um ônibus até Chiclana, onde minha prima mora. O ônibus tava muito atrasado, esperei por quase uma hora até descobrir que o meu relógio estava uma hora adiantado, diferença entre o horário da Espanha e do Marrocos, vacilo total. Fui atrás de um hostel na cidade e achei um próximo à rodoviária.

Conheci no café da manhã do dia seguinte uma americana muito gente-fina, batemos um papo e seguimos com a vida, até nos encontrarmos sem querer andando pela cidade e ficamos andando juntos até o final do dia quando peguei o ônibus para Chiclana.

Atlântico ou Mediterrâneo, eis a questão...
Se liguem no mar azul... Acho que até o momento nunca vi um igual.


 O legal foi banhar-me no Atlântico E no Mediterrâneo no mesmo dia. Na praia do Mediterrâneo tinha um senhor caçando nas pedras. Eu vi ele pegando um polvo e uma moréia, animal.

Fiquei com minha prima e seus dois pestinhas por uns três dias quando segui viagem para Sevilha. Meu destino era Madrid, então fiquei apenas o dia por lá. Em Sevilha fui no museu do exército (várias armas) e no Alcázar, um jardim muito bonito (e caro 8€).




No final do dia, entrando no ônibus para Madrid, uma coincidência bizarra. Lembram-se do casal de brasileiros que encontrei em Barcelona e acabei passando o dia com eles? Pois é o cara estava lá, e pior, ainda ia sentar ao meu lado. Acho que nunca vi uma coincidência tão doida como essa.

Chegando em Madrid, conheci uma coreana muito gente fina e que estava de saída para Toledo, uma cidade cheia de museus e obras do El Grecco, um artista grego que viveu nesta cidade e foca a maior parte de suas obras a temas religiosos.


Depois demos algumas voltas em Madrid, fomos em dois museus importantes: Reina Sofia e Museo del Prado, haviam obras importantíssimas que eu não tanto valor por pura ignorância artística.





No dia seguinte a minha amiga Coreana foi embora, eu ficaria mais alguns dias pois encontrei um voo barato que seguia até Amsterdã, um pouco fora da rota inicial, mas me faria economizar uma grana.

Fui no dia seguinte visitar algumas vilas ao redor de Madrid, coisa bem interessante.



No outro dei mais uma volta por Madrid incluindo o museu de Antropologia que me parecia legal, mas no fim foi um saco.


Acordei cedo no dia seguinte para seguir para Amsterdã, onde muitas surpresas me aguardavam.

Sangue na Plaza de Toros

5 de maio de 2011


A tourada é um esporte cujas tradições remontam milênios, acredita-se que tenha começado com os Celtas e seus sacrifícios rituais de touros. De todos os animais que os antigos conseguiam domar, o touro era o que dava mais trabalho, eles são muito agressivos e perigosos, é necessário castrá-los para que eles se tornem os bois dóceis que vemos nas fazendas.
Os touros, indomáveis se tornaram, portanto, um símbolo de poder incontrolável da natureza. Assim, a Tourada representa o controle da natureza, o homem contra a fera, a inteligência contra a força bruta.
O espetáculo em si é muito belo, um tanto quanto selvagem e sangrento, mas ainda assim, belo.
Inicialmente existem vários participantes, os chamados subalternos, que possuem a função de cansar o touro.


Após alguns instantes, entra na arena o Picador, um homem montado em um cavalo fortemente protegido que, usando uma lanca dá um golpe no touro para que se evite que este levante demais a cabeça colocando em risco a vida do toureiro.

Em seguida é a hora dos Banderilleros fazerem a sua parte. Sem utilizar a muleta (o pano vermelho), eles cravam bandeirinhas no touro com a finalidade de demonstrar sua braveza em ser o alvo direto do touro.
A partir deste momento inicia-se o "baile" entre o toureiro e a fera.

Quando o touro está mais cansado, é a hora do golpe final. Com uma longa espada, o toureiro chama a atenção do touro com a muleta baixa, quando o touro vem, ele crava a espada até o fim.


Em poucos instantes o touro tomba, e depois de definitivamente morto, tem suas orelhas cortadas e oferecidas ao toureiro que as expõe como um troféu.

Há, hoje em dia uma certa polêmica quanto o futuro das touradas. As sociedades protetoras do animais avançam pouco a pouco para acabar com as touradas, inclusive, já conseguiram proibí-las na região da Catalunha (onde fica Barcelona), é claro que a tradição das touradas em terras catalãs não é nem de perto parecida com a tradição na região da Andaluzia.

Após mortos, os touros são levados para açougues onde a sua carne, dura pelo que me falaram, é vendida a preços altos.

Na saída, encontrei o toureiro das fotos acima:
Muito gente fina, por sinal.

Chiclana de la Frontera: Muito mais da Espanha

Saindo do Cabo de São Vicente, fiz escala em Lagos e de lá saí direto para Chiclanna de la Frontera, uma viagem de pouco mais de 10 horas, demorada mais do que o necessário devido às diversas paradas.
A Espanha é, na verdade, país com um amontoado de diferentes culturas, existem os Castelhanos, Catalães, Bascos e Andaluces. A Região de Andaluzia, onde fica Chiclana, é onde encontramos as tradições mais conhecidas internacionalmente como sendo tradição Espanhola, entre as mais conhecidas estão as touradas e o flamenco.
Encontrei aqui a Karina, uma prima em primeiro grau que mora na Espanha há quase 22 anos. Nos conhecíamos apenas por Internet, já há uns 3 anos, nunca nos vimos pessoalmente, este era, portanto, um encontro há muito esperado. O plano era ficar alguns dias com ela e com seus dois filhos, Álan (11 anos) e Lucca (9 anos), dois levados garotos que entendem português mas tem no castelhano a sua primeira língua.

A Karina e seus dois garotos vivem em um confortável apartamento, grande o suficiente para me receber sem grandes preocupações.
Cheguei em uma quinta-feira à noite, na sexta fomos com as crianças a um parque, um programa bastante calmo, calmo pois no dia seguinte o plano era de muita agitação. Primeiro um show de um amigo brasileiro da Karina e depois balada.
Neste passeio, acompanhou-nos a Bella (que até agora não conssigo pronunciar direito) uma espanhola animadíssima que além de dançar como doida se diverte fazendo duetos com a Karina daquela música "Tou nem aí" com um sotaque que entrega a sua não brasilianidade. A Balada foi inteiramente gratuita, graças aos ótimos contatos que a Bella tem. Ah, esqueci de dizer, a Bella é MUITO gata.
No domingo, a programação era mais tradicional: Tourada!!! O próximo post vai ser sobre isso.
Durante a semana, a Karina trabalha e as crianças a deixam louca para ir à escola. Aproveitei para ir a Cádiz, uma cidade praiana a alguns quilometros de Chiclana, que além da bela paisagem possui parques e praias bem legais.



Aproveitei também a semana para ir à praia. Detalhe importante das praias espanholas, quase todas as mulheres fazem Top Less... Para nós, homens brasileiros, que não estamos acostumados com toda essa liberdade, é difícil não fazer aquela cara de UAU, mas depois do décimo, a gente já se acostuma. Que me desculpem os leitores mais animados, mas não tirei nenhuma foto.



Fui até a Praia de Sancti Petri, que tem esse nome devido ao castelo com o mesmo nome, localizado em uma ilha bem em frente a esta praia. Neste castelo, existe o Templo de Hércules que, segundo a lenda, é o lugar onde Hércules foi enterrado. O castelo é tão perto que é possível chegar lá tranquilamente a nado, só não o fiz por dois motivos: a água é muito gelada e eu não estava com trajes próprios ao banho.
Trajes impróprios para banho.

Poseidon

No dia seguinte, quarta-feira, fui acompanhar o Guillermo, radialista amigo da Karina, a um debate na Câmara dos Vereadores de Chiclana, sim, falta do que fazer, mas foi bem interessante nos momentos que eu estava acordado. Política é a mesma em todo lugar... Os partidários do governo concordam com tudo, os da oposição discordam de tudo, parece que nem prestam atenção no que é dito.

Na sexta a noite teve um show de Copla, um estilo característico de música espanhola que possui, em geral letras tristes e melancólicas que me lembrou muito o fado português.

Mas o melhor da noite foi o grupo de dança flamenca, foi demais.

No sábado, teve festa na casa da Karina, fui comprar com o Claudio, um chilenno muito gente fina, os ingredientes para o "Completo", um cachorro quente com um ingrediente muito inusitado, pasta de abacate, pior que é bom pacas. Infelizmente, a festa aconteceu no mesmo momento que aconteceria um show de flamenco, eu tinha que ir...


O flamenco é, além da conhecida dança, um estilo musical muito característico. Muito parecido com os famosos Gipsy Kings, e neste show que fui, estava tocando um dos mais conhecidos guitarristas de flamenco: Paco Cepero, é, eu também não conhecia, mas a casa estava cheia e a apresentação foi fantástica.. Abaixo um trecho que gravei.

Aproveitei pra tirar uma foto com os caras, muito legais, aliás.
Paco me contando como foi tocar em Copacabana há 5 anos.
Os trajetos:

O passeio em Cádiz


Sancti Petri e La Barrosa

Salamanca - Uma mistura de muitos mundos

9 de abril de 2011

A viagem para Salamanca foi bastante tranquila, a única surpresa, que de certa forma era previsível, foi que eu não consegui dormir tanto quanto eu imaginava que conseguiria. Uma pelo fato de o ônibus não ter banheiros, o que o obriga a fazer paradas a cada uma ou duas horas. E outra pelo fato de eu estar um pouco ansioso.

Salamanca é uma cidade universitária que é em muito parecida com Barcelona. Possui o centro histórico com prédios de arquitetura fascinante, ter muitas pessoas estrangeiras e ser muito organizada. Por outro lado possui algumas diferenças marcantes. Primeiro que é uma cidade menor com um grande rio que a cruza, o que dá a ela um ar um pouco mais bucólico. Outro detalhe que nos chama bastante a atenção, é que em Barcelona, é muito fácil distinguir o centro velho dos novos bairros. A arquitetura é antiga, as ruas são estreitas e escuras no centro, fora dele, são como em qualquer outra cidade, com largas avenidas e prédios altos. Salamanca, me pareceu ter uma mistura mais harmônica entre o velho e o novo, e por isso não é nada fácil descobrir se estamos no centro ou nos bairros. Exemplo desta harmonia achei em um restaurante, onde as mesas eram postas entre as ruínas do que parecia ser dos tempos de Roma.


Outro lugar particularmente belo da cidade é a Ponte Romana.


O campus universitário é parecido com o campus da Unesp em São Paulo, cujos prédios ficam espalhados dentro do perímetro da cidade, e lá foi bastante curioso, pois numa dessas andanças encontrei um prédio que era o Centro de Estudos Brasileiros, não resisti e fui dar uma checada. Estavam havendo palestras em uma pequena conferência, e para a minha surpresa um dos palestrantes morava no Crusp (Conjunto residencial da USP) com alguns grandes amigos meus... Mundo Pequeno.
Tenho comido muita coisa barata, o que me ajuda a me manter dentro do meu Budget. Um dos meus preferidos é a baguete com presunto ibérico (parecido com o Parma, se não for o mesmo), é bom, barato e enche a pança. Pratos tradicionais e, consequentemente, mais caros, eu deixo para comer quando estou em grupo.
Meus planos iniciais era passar em Salamanca e ir no mesmo dia para Lisboa, porém primeiro descobri que os ônibus para Portugal eram apenas de manhã, em seguida, descobri que para a cidade do Porto, a passagem era mais barata. Como pretendia ir ao Porto de qualquer maneira a partir de Lisboa, preferi ir ao Porto.
Mais a noite conheci dois ingleses que estavam participando de um projeto de caridade cujos participantes iriam, apenas pedindo carona até o Marrocos (o link do projeto é este). Caras muito gente finas. Até me fizeram pensar em me juntar a eles, mas preciso MESMO passar em Lisboa o quanto antes.
Fomos, com os dois ingleses, jantar sem gastar em uma lojinha de um Paquistanês que mandou super bem em um sanduíche que lembra muito aqueles churrascos gregos que tinham em SP.
O roteiro de Salamanca foi:

Clique duplo para ver as fotos.

O caminho para o porto: