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Ano novo em Lübeck!

19 de fevereiro de 2012



Lúbeck é uma cidadezinha no norte da Alemanha na qual eu já havia estado no verão com meus amigos suecos antes do Festival. E foi neste festival que eu conheci o Björn e a Lena, um casal completamente doido com o qual continuei a me corresponder e que continuamente me convidavam para uma visita, e lá estava eu.


Pegamos leve nas bebidas naquela primeira noite, pois, no dia seguinte, a Àurea, aquela garota que conheci em Paris, viria para o ano novo. Depois de Paris, continuei a corresponder-me com ela, e quando ela disse não saber o que faria no ano novo, brincando falei: venha para Lübeck! E ela foi.
Acordamos cedo, eu e o Björn para buscar a Àurea no aeroporto de Hamburgo na manhã véspera de ano novo. Voltando à cidade demos um pequeno passeio no centro e fomos a um restaurante que possuía em seu cardápio porções generosas de carne, uma delícia, menos para a Àurea que é vegetariana.


Voltamos para o apartamento e fizemos um vinho quente de uma forma muito diferente. Sob uma panela cheia de vinho com vinho cravo e canela, coloca-se um torrão de açúcar embebido em rum a com 80% e coloca-se fogo nisso tudo, o açúcar derrete levando o rum para dentro do vinho e o resultado é uma delícia.

Mais tarde fomos para a rua ver a queima de fogos. Alí em Lübeck não havia uma queima centralizada de fogos, todos providenciam uma queima particular de fogos, desta forma, tem-se uma queima generalizada, as ruas ficam cheirando a pólvora por horas. Acompanhamos a queima de fogos bebendo algumas boas cervejas alemãs, que são as melhores e incrivelmente baratas. Não sei quem teve a incrível ideia de pintar a cara mas acho que era para simular o dia no festival que fizeram o mesmo comigo.


No dia seguinte o Björn nos levou para uma longa caminhada pela cidade onde visitamos os principais pontos daquela cidade que é bonitinha. Apenas o tempo frio e chuvoso que não ajudou muito.




No dia seguinte resolvemos, eu e a Àurea, passar em Hamburgo, a maior cidade da região e que é conhecida por suas festas arrasadoras. Eu já havia passado por lá no verão e tinha ótimas memórias.

Demos um grande passeio pela cidade, especialmente nos locais que eu não tinha ido anteriormente. Mais uma vez o frio não contribuiu; bom, é inverno, o que esperávamos?




Mais à noite fomos a alguns bares e após algumas tentativas decidimos por um com um Karaokê. Eu cantei duas músicas e o povo meio que curtiu, animado convenci a Àurea a cantar, ela dizia que não cantava bem, mas ainda assim, seria legal vê-la cantando. Pra que? Ela decidiu por cantar Hey Jude e juro, nunca vi ninguém cantar tão mal na minha vida; desafinada e fora do ritmo, quase me escondi de baixo da mesa de tanta vergonha alheia, além de que eu não queria deixa-la mais desconfortável com minhas gargalhadas. Senti um pingo de culpa por ter insistido, mas não deixava de ser engraçado.

Saímos de lá, eu tentando convencê-la de que não tinha sido tão mal, mas eu menti.

As ruas de St. Pauli, o bairro mais agitado de Hamburgo, estavam calmas demais, era segunda-feira, inverno e dia seguinte do ano novo. Ainda assim, achamos uma balada para ir, mas o cansaço chamou, e acabamos indo para o hostel.


No dia seguinte, era meu aniversário! Ganhei da Àurea uma pulseira antes de nos despedirmos na estação de trem. Voltei para Lübeck onde iria para uma balada com a Lena e dois amigos dela.
Primeiro fizemos um esquenta na casa do amigo dela, e depois fomos para a balada que era nada menos do que épica. Vários ambientes, lotados, cheio de pessoas e ótima música.

A amiga da Lena era meio chata e a Lena estava distraída demais para ser uma boa companhia, assim acabei encostando em algum lugar tomando algumas cervejas e falando com o pessoal, aparecendo para eles de tempos em tempos. Houve uma hora que eu fui ao banheiro e o que pareceu para mim algo como 5 minutos, descobri posteriormente que dormi por mais de três horas e eles ficaram lá esperando por mim. Ainda assim foi divertido.

Fiquei de molho no dia seguinte até chegar a noite quando eu tomaria uma balsa noturna para a Suécia, paguei por volta de 36€, mas havia uma cabine com cama, banheiro e uma ducha fantástica. Cheguei renovado à Suécia.

Os dois lados de Berlim

16 de fevereiro de 2012


Conheci o Konrad através do Mitfahrgelegenheit, aquele site para divisão de despesas de gasolina para a viagem entre Dortmund e Berlin. Ele viveu a maioria de sua vida no Equador e preferia falar espanhol a inglês (e mesmo alemão). Era o tipo de cara que curte aproveitar a vida e era muito gente boa. O que era para apenas ser uma carona acabou esticando para uma hospedagem em sua casa.

Ele tinha algo para fazer naquela noite e depois planejava encontrar um amigo num bar, encontro no qual eu seria bem vindo. Neste ínterim, aproveitei para fazer algum passeio na cidade. Ele me deixou em frente ao Reichstag, o parlamento alemão, um prédio com um significado histórico imenso. Aliás, tudo em Berlim tem grande significado histórico, é uma cidade onde a história do mundo moderno foi definida e cada detalhe serve para lembrar do terror, desgraça, esperança e alegria pela qual aquela cidade e o povo alemão sofreu durante o século 20.


Reichstag


O Portão de Brandemburgo

De lá caminhei para o Portão de Brandemburgo, uma construção monumental que abre o caminho para a avenida Unter den Linden (Por baixo das Tílias), a rua principal de Berlim e que carrega esse nome pois por anos haviam árvores de Tílias plantadas naquele local, na segunda guerra mundial, todas elas foram cortadas e só foram replantadas na década de 50.

De lá, segui para o bar onde encontraria o Konrad, tomamos algumas cervejas e seguimos, para uma balada. A noite foi divertidíssima e deu para sentir o porquê de todos os alemães que conheci dizerem que Berlim é a cidade mais divertida da Alemanha. Conheci vários brasileiros que estavam à passeio, e quando digo vários é porque eram vários mesmo, tipo uns 10 e não estavam juntos, é o Brasil dominando o mundo. Em especial conheci a Nara uma mineira louca viajando a Berlim com uma amiga e com quem dei muitas risadas.




No dia seguinte saí para comer com o Konrad e despedi-me dele para encontrar a Debbie em um encontro do CouchSurfing. Foi o primeiro encontro que participei, e não gostei. Era uma povo bastante negativo que apenas ficava lá falando mal de pessoas que eu não conhecia. E isso refletia a personalidade da Debbie, uma pessoa que eu senti antipatia imediata, são raras as pessoas que isso acontece.

No dia seguinte eu resolvi sair para conhecer mais de Berlin, e a Debbie resolveu vir comigo...
Fomos ao museu Topographie des Terror, o nome por si só já diz muito do que encontrei por lá. Uma rica e completa documentação sobre a escalada do Nazismo ao poder que mostra que no final das contas o povo alemão foi uma das principais vítimas do nazismo, afinal, muito antes da Kristalnacht, quando se iniciou a perseguição aos judeus, muitos alemães contrários ao regime foram perseguidos e mortos.


Antigas paredes do prédio central da SS


Ainda encontramos a placa de aviso que se está passando pela "fronteira"

Existem "soldados" americanos e russos para divertir os turistas


Quando andamos por Berlim, em vários momentos nos deparamos com um detalhe diferente no calçamento e que se estende por quase toda a cidade. Trata-se da marca deixada para se lembrar do Muro de Berlim, construído pelos soviéticos para evitar a constante onda migratória do lado oriental (comunista)de Berlim para o lado ocidental (capitalista), isso ocorria pois o lado capitalista oferecia melhores condições de vida e salário, assim, muitas pessoas iam de um lado para outro da cidade até que os soviéticos resolveram construir um muro separando-os.



O Muro finalmente veio abaixo com a queda da União Soviética, podendo-se encontrar trechos do muro espalhados pela cidade, o maior deles é a East Galery, onde artistas do mundo inteiro decoraram o muro com pinturas fantásticas.




Encontrei-me com a Debbie em seu apartamento mais tarde, de onde sairíamos para uma noitada, ela convidou a Justine, uma francesa muito bonitinha (como todas as francesas) que estava hospedada no quarto ao lado. A Justine, inicialmente disse não, mas eu intervi e ela se compadeceu aceitando o convite, de fato, eu não estava a fim de ir sozinho com a Debbie.

Fomos inicialmente a um bar junto com alguns amigos da Debbie, o que incluía duas brasileiras (brasileiros dominando o mundo). A noite foi bastante tranquila até aparecer um cara (pela cara de origem turca), bêbado que convidou-nos para uma partida de Pebolim, joguei uma e cansei, em seguida a Justine foi fazer dupla com esse cara e em determinado momento ele deu um tapa na bunda dela, o que a deixou muito puta. Mais tarde o cara resolveu ficar na nossa mesa, e deixando a todos muito incomodados, até chegar ao ponto onde pediram para ele ir embora e eu ao tentar falar com ele, ele me ameaçou de dar um soco, do nada. Depois dessa, ele foi embora, cuspindo na mesa para despedir-se. A noite continuou tranquila, fiquei trocando várias experiências com a Justine, que morava na Turquia e estava na Europa apenas para renovar o visto.

No dia seguinte, mudei de casa, desta vez fui hospedado pela Eva, uma francesa que vivia em Berlim com suas duas filhas e estava naquele momento sendo visitada pelo marido que vivia em Paris. O mais interessante é que a Eva falava português fluentemente, e eu adoro falar português com estrangeiros. Fomos naquela tarde a um museu Gemäldegelerie, que valeu a visita pela obra Amor Vincit Omnia (O amor conquista tudo) de Caravaggio.



No dia seguinte segui a indicação da Eva e fui a um museu que contava a história de Berlim com um destaque todo especial para o período de guerra e o pós guerra, quando o muro foi construído. O ápice do museu é uma visita a um Bunker construído durante a guerra fria para abrigar milhares de pessoas em caso de um ataque nuclear. Toda a iluminação do local é eficiente em transmitir toda a angústia e medo em ficar confinado em um ambiente subterrâneo.









De lá, despedi-me da Eva e de sua família e segui para a estação Messe Nord, de onde saia o carro, novamente pelo Mitfahrgelegenheit para Lübeck.

Essen: Um Natal em Família

15 de fevereiro de 2012



Estava na Itália quando recebi o convite do Fred para passar o natal com sua família. Não tinha como dizer não, eu só precisava pensar como encaixar a Alemanha no período de Natal dentro do grande plano.

Conheci o Fred em Saraievo e, com ele, viajei por toda a região dos Balcãs até Istambul uma viagem de quinze dias, na qual ganhei um grande amigo que estou certo levarei para toda a vida (os posts sobre esta parte da viagem podem ser lidos aqui).

Fred em Tirana, capital da Albânia

 Parti de Bruxelas com direção a Colônia na Alemanha, lá era o lugar onde o Fred fez a faculdade e era onde morava a maioria dos seus amigos os quais tive o grande prazer de conhecer. Inicialmente haveria um jantar na casa da Sara, uma garota super legal e parceira, que também cederia o lugar também onde ficaríamos hospedados.


O estado da cozinha depois da festa

O Fred se esforçava como anfitrião para que eu conhecesse o melhor de sua cidade. Infelizmente o tempo chuvoso não ajudou, mas não impediu que fôssemos ao museu da cidade, como eu já disse algumas vezes, museus não são meus lugares favoritos, mas sempre há alguma boa surpresa, neste caso fiquei impressionado com o realismo deste trabalho.


Mais tarde conheci a Inês, namorada do Fred, portuguesa e da qual ouvira falar muito. Ela, muito ativa, faladora e impulsiva, parecia o oposto do Fred, um cara calmo e quieto, mas vendo-os juntos, pareciam ter sido feitos um para o outro.

Seguimos no dia seguinte para Essen, logo após termos visto uma peça de teatro em que o Simon, grande amigo do Fred e muito gente fina, era um dos atores. Fiquei impressionado pois mesmo sem entender uma palavra do que era dito (em alemão) pude entender o sentido da peça quase que completamente.


Em Essen, fui muito bem recebido por sua mãe, que pelo que percebi já havia ouvido falar bastante de mim, e pelo padrasto do Fred, também farmacêutico e uma figuraça. Saímos logo em seguida para uma partida de futebol do campeonato alemão. O Jogo era entre o Mönchengladbach, time do Fred, contra o Schalke. Foi a primeira vez que fui a um estádio para uma partida de futebol, ficamos próximos à torcida do outro time, o que nos garantiu vários banhos de cerveja. No final, o time do Fred acabou ganhando a partida por 3x1.


Bratwurst com Cerveja, nada mais tradicional (apesar da maionese no sanduíche que eles acharam nojento)

A torcida adversária

Os dias em Essen foram bastante mais calmos do que os dias em Colônia. Chegamos a ir em algumas festas sendo que uma delas, acompanhado do Peter, filho da Madrasta do Fred e grande parceiro, foi inesquecível, ainda que eu só lembre de flashes.

Yeahhh!

Eu, Peter, Fred e alguém que não sei!

Não me perguntem, não lembro dessa parte.



Depois de alguns dias chegou a irmã do Fred com seu filho e marido, o Rui também português, um cara muito gente boa, com quem matei a saudade de falar a minha língua. Ainda mais divertido pelo fato de ele falar em português com o filho ainda bebê o Paulinho, assim, pude me sentir um pouco menos deslocado linguisticamente (não que isso me incomode a essa altura da minha viagem).


Fred e Paulinho

Quem derrubar os pinguins perde

A noite de natal na Alemanha é bastante parecida com a noite no Brasil com algumas diferenças bastante peculiares. Em primeiro lugar, por ser inverno, utiliza-se muitas velas (um costume bastante comum na europa), além disso, após a ceia, não costuma-se esperar até a meia noite para dar os votos de natal. A mãe e o padrasto do Fred foram muito gentis em lembrar de mim ao presentear-me com alguns itens de higiene e uma lanterna (coisa muito útil), da mãe do Fred ganhei um cupom no qual ao ser comprado, uma vaca leiteira é doada a uma família na África, um tipo de presente com um significado muito especial.

No dia seguinte, acordamos cedo para ira a igreja e mais tarde tivemos um almoço com a família do pai do Fred e de sua madrasta, reencontrei lá o Peter, que estava caindo aos pedaços por estar sem dormir direto da balada.

Comportados na Igreja

Naquela noite saí com o Fred para tomar algo, demorou para encontrarmos algum lugar, mas quando encontramos foi uma excelente opção, com coquetéis para lá de excelentes e com um preço bastante interessante. Na sequência uma balada com banda ao vivo. Como a cerveja era cara e já estávamos bastante “à vontade” por conta dos coquetéis que tomáramos antes, enchíamos as garrafas de cerveja com água da torneira e ficamos gradativamente mais conscientes da festa, ainda assim foi uma noite genial.

No dia seguinte, despedi-me da família e ganhei uma carona do Rui até Dortmund, de onde utilizando o genial Mitfahrgelegenheit (site para divisão de despesas de gasolina) arrumei um carro para ir a Berlim.

Despedimo-nos com a certeza de nos encontrarmos novamente, talvez não tão em breve desta vez.