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Abania mio Paese!

1 de setembro de 2011


Acordamos "cedo" naquele dia: 10 horas, e isso é cedo porque nunca acordáramos tão cedo neste hostel.
Tomamos o café da manhã aprontamos as malas e saímos para a estrada.
Estava um baita calorão de rachar, assim, o jeito era ficar abaixo de uma ponte que havia por alí, pelo menos rolava uma sombrinha. Bom a idéia era a seguinte: a Albânia ficava muito longe para esperarmos pegar uma carona direta. Não tínhamos muitas idéias de cidades no caminho, só sabíamos que a Albânia ficava no sul, e esta seria a nossa placa, melhor ainda se a placa estivesse escrita em montenegrino.
Fechou, deixei o Fred e saí para descobrir como se escrevia Sul em montenegrino. Fui na banca de jornal e óbvio, a mulher não falava inglês. Moleza, a minha linguagem de sinais e mímica, arte desenvolvida principalmente no Marrocos (vide este post), daria cabo facilmente. Desenhei uma seta, dentro de um círculo com um N na ponta. Apontei para o norte com a seta da bússola, e ela sacou o que eu queria dizer. Depois desenhei o S de sul e perguntei como era na língua dela, ela disse Zapad. Não contavam com a minha astúcia?
Excelente, voltei para o Fred, desenhei a placa e vamo que vamo. O Fred ficava com a placa e a bandeira enquanto eu tentava chamar a atenção dos motoristas com as minhas recentemente adquiridas habilidades malabarísticas.
Muita gente buzinava, mandava rizadas, beijos e outros ainda faziam um sinal muito curioso que não entendemos naquele momento... Apontavam para trás.
Enfim, ninguém parou o que fazer? Decidimos pegar um ônibus para Bar, uma cidade e não UM bar (o que não seria uma má idéia). Em Bar supostamente haveriam várias possibilidades. Legal. Chegamos lá, uma praia que parecia promissora e um baita trânsito. Excelente: o trânsito dava tempo suficiente para as pessoas simpatizarem conosco, pensarem e pararem.
Continuavamos com a placa dizendo "Sul" em montenegrino. Pessoas continuavam apontando para trás até que parou um carro perguntando para onde raios queríamos ir. Para o sul é claro apontando para a placa. Daí o cara disse: "OK, se vcs querem ir para o sul façam outra placa pois Zapad significa oeste". Rimos MUITO, afinal, agora fazia sentido o povo apontando para trás.
Outro evento que nos garantiu muitas risadas foi o fato de um carro ter parado a alguma distância. O Fred foi lá falar com eles e voltou super feliz, arrumamos uma carona para a Albânia! Excelente, pegamos a nossa mala e quando estávamos indo para o carro, eles foram embora. Provavelmente rindo muito por ter-nos feito de otários. E é, conseguiram até eu e o Fred rimos, depois de xingar muito é claro.
Não muito depois ouvimos um distante "Helo" e um homem de óculos acenando. O Fred foi lá falar com ele e dessa vez era pra valer. Eles eram um casal de italianos indo para Tirana, capital da Albânia! Muito excelente!


Seguimos com eles batendo um excelente papo. Ele, Michele (se lê Miquele) e esteve no Brasil a não muito tempo e, por isso, ele havia parado, se animou ao ter visto a bandeira do Brasil. Agora seguia acompanhado de sua adorável esposa Silvia para Tirana e depois para alguma praia no sul da Albânia.
Sem querer lançou uma frase que marcaria a  viagem e que deu nome a esse post. Acontece que há muitos imigrantes Albaneses no norte da Itália e sempre que tentam explicar qual o país de origem bradam com um orgulho nacionalista: "Albania mio paese" (do italiano: Albânia meu País). Agora estávamos na Albânia e infelizmente não parecia haver muito do que se orgulhar.
Fred, Michele e Silvia.


O trânsito é nada menos do que caótico. No último dia pegamos um taxi e juro que quase me caguei: o cara pegou contra-mão, estrada para bicicletas, quase atropelou pedestres, só faltou dar um cavalinho de pau.
Primeiro tentamos chegar no Hostel de várias indicações, mas o mapa desatualizado do Lonely Planet nos enganou e ficamos perdidaços. Perguntando (não me pergunte em que língua) para várias pessoas chegamos no hostel e ele tava lotado, mas o cara, que tinha cara de traficante mas muito gente boa, nos indicou outro que seria certo.
Chegamos lá, haviam vagas e já fizemos algumas amizades, o que nos garantiu um belo jantar com uma galera bem legal. Fora eu e o Fred, tinha outro alemão e cinco poloneses. Dos poloneses, tinham duas garotas que namoravam dois dos três caras que eram irmãos. Apesar do compromisso, uma delas gostou do Fred e ficou de papo com ele por todo o caminho, o que garantiu uma briga para ela.
No dia seguinte, resolvemos ver toda a cidade, que infelizmente não oferecia muito. A praça central estava completamente tomada por obras e ninguém trabalhando nelas (e não era domingo).




Bem, dadas as circunstâncias o melhor a fazer era seguir viagem, e o lugar escolhido seria o lago Ohrid na fronteira com a Macedônia.
Pegamos uma espécie de "carona paga" até uma cidade mais próxima da fronteira. O trânsito que é caótico na cidade é ainda mais assustador nas estradas. O motorista parecia um suicida, fazendo curvas na contra-mão a uma velocidade de dar um nó no estômago. Ah, e a mulher grávida ao lado. Depois de cruzarmos o terceiro acidente (batidas frontais) o cara pareceu sossegar um pouco mais.




Chegamos em Pogradec e caminhamos os 5 km que nos separava da fronteira. O destaque era o vento, que fazia o lago parecer um oceano com ondas violentas demais para um lago, e o excelente papo que eu e o Fred batemos durante a caminhada.




Outro lance que chamava atenção eram os bunkers que ficavam ao longo de todo o caminho. Aconteceram guerras aos montes naqueles lugares e os bunkers eram tão numerosos que pareciam fzer parte da paisagem local.





Atravessamos a fronteira à pé, e pegamos uma carona desastrosa até Ohrid, mas essa história fica para o próximo post.


O percurso até a Tirana na Albânia:




O percurso de Tirana até Ohrid:

De volta a Montenegro! No calor de Tivat!

30 de agosto de 2011


Estava na rodoviária para seguir caminho entre entre Sarajevo (Bósnia) e Podgorica (Montenegro). Fui checar os tíquetes e foi aí que conheci o Fred, um cara pelo qual simpatizei de momento. Alemão, estava indo também para Podgorica, começamos a conversar e acabamos indo comer um Chevapi (quase um hamburguer) antes de encarar a viagem.
A conversa fluia naturalmente, e com isso conversamos de montão sobre tudo o que é assunto.
A estrada foi certamente uma experiência sublime. Começa com um pequeno riozinho entre altas montanhas e após uma represa, se transforma em um imenso rio de água tão azul que parece que alguém jogou tinta. Quisera eu que as fotos tivessem ficado melhores para que vocês pudessem ver o que falo.


Numa parada, o Fred lança: "E aí? Uma cerveja?". Essa foi a melhor ideia que eu gostaria de ter tido.
Chegando em Podgorica, minha intenção era seguir para a Albânia, porém descobri por lá que não haviam ônibus diretos até lá, já era noite, e ficar sem rumo naquelas horas não costuma ser uma boa ideia. O Fred lançou: "Nem esquenta, vamos para Tivat". Tivat é uma cidade costeira, ao norte de onde estávamos (eu queria ir para o sul) e que fica perto de Kotor, cidade que eu já havia estado. Mas considerando o fato de que eu não tinha planos muito melhores para aquele momento, conhecer uma nova cidade na boa companhia do Fred, hum, porque não? O leitor demorou muito mais tempo para ler os motivos de minha resposta do que o tempo que levei para dizer: "Hum, beleza".
O ônibus nos deixou no meio da estrada, então saímos perguntando. Não demorou até encontrarmos o hostel que o Fred tinha reservado. Chagando lá, havia uma atmosfera muito legal, com uma área comum no jardim com várias pessoas batendo papo, tocando violão e bebendo cerveja. Quando nos questionaram quanto tempo ficaríamos, estávamos na dúvida entre um ou dois, mas vendo o ambiente, eu disse ao Fred que, pela cara do lugar, a gente ia querer ficar mais de um dia por lá (no total ficamos quatro).
O primeiro grupo que conhecemos foi de professores Austríacos que estavam curtindo férias ali pelos Balcãs. O papo foi muito bem e depois descobrimos que estávamos no mesmo quarto, ao fim, fomos dormir muito tarde, pois não parávamos de dar risadas.

No dia seguinte fomos à praia com esse grupo onde tivemos muita diversão. Ah, pela primeira vez consegui achar que conseguirei fazer malabarismos (aquele com três bolas). Um dos professores carregava as bolas e disse que é questão de treino, resolvi tentar e me pareceu que iria conseguir, fiquei horas ali com resultados progressivos.

Naquela noite, compramos cerveja, vinho e ficamos de papo. Fomos até Kotor em uma festa de rua que estava demais. Estava conosco uma italiana, muito bonita e simpática que ainda falava português (com sotaque lusitano), o amigo italiano dela e um nigeriano que, apesar da aparência assustadora de negão bombado, ficava tentando pegar a minha perna até chegar o absurdo de me morder... Tudo bem que o cara é gay, mas se comporta né? O Fred nem percebeu pois estava distraído com a italiana.
A noitada foi excelente, mas toda a alegria tem suas consequências, dando ao dia seguinte aquela vontade de não fazer nada. Ficamos quase o dia inteiro só de papo pelo hostel, decidimos descer para a praia quando o sol estivesse mais calmo.
Ficar em um hostel tem as sua vantagens, é possível conhecer pessoas de todos os lugares e algumas delas são daquelas pessoas que deixam suas marcas em nossa memória de viagem.
Duas dessas pessoas são as suíças Giulia e Nadja, que tinham acabado de chegar naquela tarde enquanto eu estava tocando violão, coisa que, aliás, ando fazendo com bastante frequência. Por elas também rolou a mesma química que tinha rolado com o Fred, simpáticas, inteligentes e carismáticas, perguntei se não queriam ir conosco para a praia, elas aceitaram de bom grado. Quando avisei o Fred sobre a companhia para a praia, ele abriu um sorriso de orelha a orelha e disse: "Você é um excelente parceiro de viagem".
Fomos à praia com as meninas. conversamos de tudo, política, religião, vegetarianismo, polêmica etc... Papos não muito praianos, mas que dava para perceber que as meninas eram muito inteligentes.


A praia por outro lado foi uma merda. Grama alta e melequenta sob a água, fazia da experiência de ficar de pé naquele leito uma experiência asquerosa. Ah, pra ajudar ainda cortei o meu dedão do pé em alguma rocha no fundo do mar... Valeu pela companhia, pelo menos.
Naquela noite troquei com as meninas algumas músicas, elas adoraram a música abaixo:

E eu adorei essa:

No dia seguinte, o programa era o passeio de barco pela Bahia de Kotor, iríamos nós quatro, eu, o Fred e as duas suíças.

O passeio iniciava-se em Tivat e a primeira parada foi Herceg Novi, uma cidade forrada de turistas mas com um charme medieval que lembrava Dubrovnik. Havia uma fortaleza no alto de um monte, mas para entrar precisávamos pagar um troco, ninguém tava muito no clima, descemos para comer umas frutas e pizza.

De Herceg Novi, o barco seguia para Zanjic e de lá, haviam duas opções, seguir para a caverna azul ou ficar na praia, fomos para a caverna. A viagem levou uns 40 minutos em mar agitado, o que quase levou a alguns (eu incluso) a ficar enjoados, felizmente, o barco chegou antes de eu chamar o Hugo.
A caverna era uma das coisas mais bonitas que já vi. O mar de uma claridade azul contrastava com a escuridão da caverna formando um cenário que parece coisa de cinema. Impossível resistir a um mergulho, só tem um problema, não aquento muito tempo nadando, me canso rápido demais e quase me afoguei tentando voltar para o barco competindo com uma infinidade de pessoas que queriam fazer o mesmo.



Mais uma parada, agora em uma ilha artificial onde se abriga um museu (que não entramos) e uma igreja (claro).


A última parada foi em Kotor, cidade que eu já tinha estado anteriormente, mas agora a turma era diferente e as impressões também foram igualmente diferentes. A impressão que tive é de que explorei a cidade com mais detalhes do que anteriormente e a cidade tinha toda uma atmosfera diferente, certamente, a companhia ajudou a mudar a cara da cidade.



À noite tivemos que nos despedir daquela adorável dupla, o dia seguinte também seria o dia de eu partir também. Fiquei bastante contente em saber que o Fred decidira seguir viagem comigo e o plano era ir de carona. Ele nunca tinha feito isso muito longe de casa, mas a ideia o deixou animado.
Seguimos viagem no dia seguinte, o destino Albânia.

A Volta de Barco:


Kotor, um pedaço de paraíso em Montenegro.

21 de agosto de 2011


Acabei me juntando ao Alessandro, um italiano gente fina que conheci no hostel em Dubrovnik, para ir até Montenegro. Mas antes de seguir viagem com o Alessandro, reslvemos passar no mercado e comprar umas porcarias para comer. Ele era um cara com estilo saudável, o que acabou de certa forma influenciando as minhas compras também. Fomos para o ônibus com todo o material para sanduíche, um detalhe importante: na hora de comprar o bilhete acabei esquecendo o meu livro sobre a Europa no balcão, junto com o guia, ficou também o meu chapéu.
Dentro do ônibus conhecemos duas Nova Zelandesas, Cleo e Talita, que também seguiam para Kotor, quando chegamos lá acabamos por decidir procurar por acomodação juntos, o que certamente diminuiria valores. Na rodoviária, havia uma ferrenha competição entre as pessoas para pegar os turistas para suas casas. Escolhemos aquela que nos pareceu a melhor e seguimos viagem.
No caminho para o apartamento o porta-malas abriu derrubando na rua todas as malas. Demorou alguns segundos para a motorista se ligar no que houve e parar o carro. Claro que as malas na avenida acabaram causando um pandemônio no trânsito, por sorte não rolou nenhum acidente. A minha mala tinha ficado no meu colo e não caiu, assim então eu só fiquei dando risada enquanto corria para ajudá-las. Após o primeiro estado de nervoso as meninas acabaram se juntando a mim nas risadas.
Naquela noite tentamos ir em uma festa mas além de ter de pagar para entrar, parecia estar um pouco vazia demais. Acabamos voltando para o apartamento onde bebemos algumas deliciosas misturas feitas pela Talita.
Quando amanheceu pudemos ver pela janela a linda paisagem de Kotor, e eu não pude deixar de lembrar da paisagem da Noruega.

No dia seguinte uma subida a montanha mais alta na qual ficava o mausoléu de um antigo rei de Montenegro. O lugar é lindo e segundo dizia-se podia-se ver a Itália de lá, não sei se conseguimos ver ou o fato de querer ver algo fez-nos pensar ter visto algo. Só o caminho até lá já valia a viagem.
O caminho até lá

A turma toda

O melhor pêssego que já comi na vida

O mausoléu

Naquela noite mais algumas misturas e música no apartamento, seria a última noite de todos nós naquela cidade, então a despedida rolou antes de dormimos, afinal as meninas iriam sair cedo e eu e o Alessandro iríamos não muito depois.
Quando acordamos na manhã seguinte, as meninas já haviam ido. Eu e o Alessandro caímos na estrada com destino a Ulcinj, no sul de Montenegro.
Ulcinj não tem nada de muito especial apenas algumas praias, coisa que eu não vou muito com a cara. E ainda são uma das piores que vi. Lotada, água parece suja, areia feia.



Montenegro é um país bastante montanhoso com uma costa cheia de praias maravilhosas. Mas o melhor de Montenegro são as pessoas, muito gentis, atenciosas e alegres. Em Ulcinj quase ficamos em uma casa familiar onde eles alugam quartos, o problema é que era meio caro e acabamos achando uma pensão por 15 € os dois. Foi com dor no coração que não voltamos na casa de família mas... Money is money.

Foi em Ulcinj que percebi que o meu plano de ficar um mês nos balcãs ir para a Inglaterra e seguir por terra até a Grécia parecia ser muito estúpido e caro. Um mês no Reino Unido sairia muito caro e o plano era voltar para a mesma região que eu já me encontrava, muito mais esperto seguir viagem até o Egito onde eu poderia adiantar um trecho importante do plano original.

Depois de dois dias em Ulcinj me despedi do Alessandro e segui viagem para Sarajevo na Bósnia, tinha que fazer uma parada em Podgorica, capital de Montenegro, queria pegar um ônibus noturno o que me daria tempo de conhecer a cidade, mas como ali não tinha nada o melhor seria ir para Cetinje (se lê Cetinie), antiga capital, lá haviam alguns museus interessantes.

Chegando lá percebi que havia esquecido em Kotor o meu carregador móvel, um esqueminha muito esperto que permite carregar i-Pod, GPS e qualquer coisa que necessite de uma porta USB. Fiquei muito puto. A minha frustração chamou a atenção do Nino e da Aurelie.


O Nino organiza em Montenegro grupos de voluntários estrangeiros para trabalhos como recolhimento de lixo em áreas públicas etc. Eram pessoas muito legais e acabei me juntando a eles no passeio nos museus junto com todos os outros voluntários. Pessoas muito especiais com as quais passei o resto da tarde, infelizmente não tirei nenhuma foto com eles.

Voltei para Kotor na tentativa de recuperar o meu carregador. Encontrei na rodoviária a mulher que cuidava da pensão que estive, mas segundo ela ela não encontrou, mas eu sabia que ela estava mentindo porque ela estava muito interessada em saber a função e preço de algo que ela não encontrou. Deu muita raiva, mas não tinha o que discutir ali, perdi o meu carregador.

Pequei mais tarde o ônibus para Saraievo, mas antes disso meu estômago estava meio ruim e precisei chamar o Hugo no banheiro.

O roteiro na montanha:


De Kotor a Ulcinj


De Ulcinj para Sarajevo