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A costa Napolitana!

6 de janeiro de 2012



A balsa chegou na manhã seguinte em Brindisi, achamos um café com internet e planejamos os próximos passos, iríamos para Napoli, e havia um ônibus saindo de Bari. Podíamos ir de trem, mas a maioria preferiu seguir de carona, dividimo-nos em três casais, a minha parceira foi a Charlie, uma britânica com espírito aventureiro, viajava sem um tostão no bolso (depois falam que eu sou corajoso).



Andamos até uma saída e começamos o processo, no total foram três caronas e uma caminhada de meia hora até chegarmos em Bari. Havíamos marcado um ponto de encontro e ao chegarmos, não encontramos ninguém por lá, conclusão óbvia, fomos os primeiros a chegar: Yeah! Campeões de Hitch-Hiking. Meia hora depois encontramos o resto do pessoal, já tinham chego há várias horas, dois deles vieram de trem, outros dois conseguiram uma única carona por todo o percurso.

Depois de comer um lanche seguimos até a parada do ônibus para Napoli onde conhecemos uma italiana bonitona e faladeira. Sentou conosco no fundo do ônibus onde continuou o papo conosco, não demorou até o cheiro dos meus companheiros (que não tomavam banho há três semanas) começar a empestear o ambiente. A italiana que não é de ferro, mudou de lugar para bem longe de todos nós.

Em Napoli os caras decidiram ficar em um hostel, eles já não aguentavam o cheiro de si próprios. O hostel que encontramos era bem aconchegante e tinha um café da manhã excelente. Havia três brasileiros em meu quarto. É impressionante como sentimos falta de falar a nossa própria língua, pior ainda é ver o quanto estou trocando e esquecendo palavras em português, substituindo-as pelo equivalente em inglês, que tem sido a língua padrão do dia-a-dia.

Saímos para explorar a cidade na manhã seguinte. Explorar uma nova cidade da companhia de gente interessante é renovador, afinal, podemos compartilhar nossos pensamentos e impressões e recebemos outros em troca, no final, a experiência é mais enriquecedora.






A cidade de Napoli chama a atenção por suas portas enormes, deixando a impressão que todos os napolitanos esperam um caminhão em suas garagens. Além disso, se vê em todo o lugar que se olha alguma pizzaria boa e barata, conclusão óbvia: Comi pizza em todas as refeições que fiz em Napoli e, sinceramente? A Pizza de São Paulo é melhor. Pronto, falei!

Voltando ao hostel, conheci uma alemã que saiu de casa, cruzou os alpes e chegou ao sul da Itália, tudo isso caminhando, À PÉ por dois meses (depois falam que eu sou corajoso).

No dia seguinte, meus colegas sairiam para Roma, eu decidi ficar por mais aquele dia, quando iria fazer um tour ao redor do monte Vesúvio. Inicialmente, após errar o trem, fui parar em uma cidadezinha que parecia nunca ter visto um turista antes, contava, é claro, com uma igrejinha no centro da cidade e com algumas opções de cafés, escolhi um e aproveitei.



De lá segui viagem para Pompéia, uma grande cidade nos tempos de Roma, destruída por uma erupção do Monte Vesúvio. As cinzas cobriram a cidade com uma grossa camada de cinzas que conservou as estruturas da cidade de uma forma que realmente impressiona. Outra coisa conservada pelas cinzas eram os corpos de algumas pessoas em suas tentativas desesperadas de se salvarem das cinzas quentes que caíam do céu. Sua dor e angústia ficaram registradas nas estátuas do Jardim dos Fugitivos.





Tentei, em seguida, ir à Costiera Amalfitana, um lugar que pelas fotos devia ser de tirar o fôlego... Mas não rolou, chegando a Sorrento descobri que a estrada estava fechada, decidi ficar naquela cidade mesmo que era bastante turística, e não sem razão, era de um charme tremendo. Com paredões de rochas enormes que se curvavam a um mar de águas claríssimas que convidavam para um banho, talvez na próxima.




Minha última parada naquele dia, foi escolhida ao total acaso, eu tinha algum tempo e desci na primeira parada após essa sábia conclusão. A cidade foi Ercolano, que tinha poucos atrativos para turistas normais, mas era um depósito de descobertas interessantes para um viajante como eu.

O Monte Vesúvio




Em vilas pequenas como essa, pode-se ter uma ideia do ritmo de vida das pessoas do sul italiano. Igrejinhas, ruas estreitas e um por do sol no campo de flores. Antes de voltar para o trem, claro, uma parada para um café.

Na Itália, o café é uma obra de arte para o paladar. Existem diversos tipos e soa como perda de oportunidade pedir apenas um... “café”. Decidi, portanto escolher um diferente: Caffe Correto. Eu nunca havia sido um apreciador de café até aquele momento. No Brasil quando todos tomavam café, eu pegava um chocolate, mas naquele momento com aquele café expresso forte com uma pequena dose de Bailey’s, o meu ponto de vista sobre o sabor amargo do café mudou, era delicioso.

Voltei para o hotel e fiquei enrolando até dar a hora de sair, algo como 3 h da manhã, seguiria de trem para Roma.

No Vale Sagrado de Becharry

7 de outubro de 2011



Becharry é uma cidade que fica na beira do chamado Vale Sagrado, é quase como um canion bastante profundo no qual pode-se ver de longe uma densa floresta cercada por paredes enormes de pedra.
Para aquele primeiro dia, eu tinha alguns desafios a resolver, o primeiro deles era com relação ao dinheiro: como não conseguia sacar, eu teria que enviar um e-mail para a minha agente de câmbio no Brasil, fazer um depósito e aguardar a carga. Fui em uma Lan House e fiz isso o mais rápido que pude.
Em seguida saí para dar uma volta na cidade, tentando conseguir uma boa vista daquele lindo vale sem ter que, para isso, entrar dentr dele. O melhor que consegui foi em uma estrada em construção. Os operários eram muito divertidos e ficamos conversando (sempre em liguagem de sinais, urros e nomes soltos no ar). Não fiz muito mais naquele dia.

A grande aventura começou na manhã seguinte quando decidi caminhar para dentro do vale. Primeiro eu tinha que caminhar ate o outro lado, onde havia uma entrada para o fundo dele. A caminhada foi longa mas tranquila. A descida iniciou-se e eu percebi que haveria um grandissíssimo desafio.
Pois é, eu estava no meio da estrada, sem nenhum estabelecimento à vista e me deu aquela tremenda vontade de... (como dizer isso sem chocar os leitores?) uma tremenda vontade de... evacuar.
Meu intestino não estava lá naquelas condições e eu sabia que não dava tempo para voltar, ia ser ali na estrada mesmo. O objetivo então tornou-se encontrar um buraco para mandar uma obra. Felizmente, depois do que houve no Marrocos (leia aqui), eu carregava sempre comigo um pacotinho de lenços de papel.
Bem, encontrei o lugar perfeito, só havia um problema, ficava bem no meio da estrada e se passasse um carro não ia ser uma boa me pegar naquela posição ingrata. Bom, mas o tempo estava chegando ao fim, tinha que ser ali mesmo. Coloquei minha mala no chão e estava abrindo os botões da calça quando ouvi um carro chegando.
Era um senhor muito sorridente que me ofereceu uma carona para o fim do vale, eu tentei negar, tinha assuntos mais importantes para aquele momento, mas ele insistiu e acabei indo com ele. Ele morava em uma casa bem no fund do vale, um casa com uma linda visão do canion por dentro. Havia um restaurante ali por perto e foi para lá que fui, comprei uma coca como desculpa e corri para o banheiro. Que sorte hein? Para quem tava pronto para uma ação desesperada na estrada, arrumar uma carona e um banheiro é quase algo para voltar a acreditar em milagres.

Continuei a caminhada pelo vale. E não muito depois passou uma kombi com um monte de jovens na caçamba, um deles apontou para eu subir, eu disse que não, ia caminhando e após ele insistir decidi ir com eles, parecia uma ótima chance de fazer uns amigos... E foi o que aconteceu, era um grupo e umas 10 pessoas na faixa dos 15, 16 anos. E, claro, acabei virando o centro das atenções, inclusive das menininhas que ficavam zuando umas com as outras dizendo que a amiga queria casar comigo (boa!!).

Acho que eles eram um grupo religioso pois iam de igreja em igreja para rezar. E esse vale, não é chamado de ale Sagrado à toa, existem pelo menos umas cinco igrejas e mosteiros, por ali. Um deles inclusive com o corpo exposto de um dos fundadores do local. Achei graça pois no painel ao lado dizia que a incrível conservação do corpo era uma milagre únicamente atribuido à Deus. Bem, eu particularmente achei que Deus poderia fazer um serviço melhor.

Me despedi do grupo e segui caminhando até a estradinha (muito fácil) acabar, e o único caminho (exceto o retorno) era a descida que eu encarei. Muita lama, escorregões e, felizmente, nenhuma queda: cheguei ao riozinho que passa no meio do vale. Agora o que restava era a subida.

E que subida, acho que o que desci em dez minutos levou duas horas para subir, ou mais. Meu estoque de água era limitado então o lance era racionar. Quando cheguei no topo, ensopado de suor e com frio (dado o vento) e vi pela primeira vez em muitas horas casas e civilização, me senti quase como o Rocky Balboa naquela cena clássica da escada.
Olha só o que sobrou da minha meia:

Após duas caronas estava de volta em Becharry, fedendo e faminto. Perguntei no hostel onde havia um lugar bom e barato para comer e ela me mostrou o que havia naquele dia para o almoço no hostel, resolvi ficar por ali mesmo e, após um banho restaurador, comi um excelente frango ao molho curry com arroz, uma das melhores refeições que tive em semanas.
Em alguns minutos a van que me levaria a Beirute chegou, peguei minhas coisas e embarquei para mais uma etapa.

O Percurso no Vale Sagrado.

Explorando a Ilha da Madeira

24 de abril de 2011

Em meu segundo dia de Ilha, não havia nenhum compromisso e portanto decidi sair para explorá-la.
Como toda cidade praiana, os locais mais agitados são sempre próximos à orla, e foi por lá que decidi começar passeio na ilha. Chegando lá, a primeira coisa que se nota são os enormes cruzeiros que param por lá diariamente. Boa parte das pessoas que se encontra andando pelas ruas, são turistas trazidos por um deles. E isso é algo bastante positivo para os madeirenses, já que parte considerável de sua renda é proveniente das carteiras destes turistas.
Em seguida fui investigar o teleférico. Ele tinha duas paradas, e custava dez vezes mais do que ir de ônibus... Conclusão: fui de ônibus. Só houve um problema: peguei o ônibus errado e fui parar em um parque completamente diferente, sem problemas.
O lugar que desembarquei ficava bem no alto da ilha, com um ótimo panorama da cidade.
Resolvi descer a pé, uma descida de 9 km. Em uma descida longa dessas, por não gastarmos muita energia andando, quase não se cansa. O mais desgastante, nessas descidas, é o impacto no calcanhar e no joelho. Com isso, percebi que o tênis que eu estava usando não era próprio para caminhadas, foram aí formando-se as minhas primeiras bolhas no pé, além de uma incessante dor no calcanhar.

Quando, finalmente, cheguei à praia, resolvi sentar um pouco na beira das rochas e fiquei observando alguns banhistas nas praias rochosas e plataformas.
As melhores opções de banho em Funchal.
No caminho de volta dei uma parada no Mercado Municipal. Havia diversas opções de frutas exóticas que chamam muita a atenção. No meu caso, como sou fã de maracujá, não pude deixar de notar a variedade de maracujás esquisitos que tinha lá.

Ao final, um lanchinho na lanchonete da esquina. Detalhe importante para o fabuloso, genial e delicioso refrigerante que só existe na Ilha, o Brisa Maracujá.
Já sinto saudades
O passeio do dia:
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