Muita sorte em Sortland!

7 de agosto de 2011


Encontrei o Tom em um bar/restaurante na beira da estrada próximo ao Museu Viking em Borg. Ele chegou dizendo que era músico e que iria tocar naquela noite naquele mesmo bar e que eu tinha que ficar. Meu plano era seguir viagem e não tava muito a fim de acampar por ali. Mas ele insistiu, o show ia ser demais, várias mulheres e além disso, ele tinha cerveja aos montes em seu próprio ônibus. Bem, esse foi um excelente argumento, resolvi ficar.
Chegando lá, conheci um monte de gente que o acompanhava. A Lena, uma mulher que quase não abria a boca. A Marthe, filha do Tom, que falava aos montes, menos comigo, a desculpa era que não falava inglês, OK. O Kato, que era muito gente fina, mas bebia muito além de usar aquelas paradas de tabaco nojentes. Por fim conheci o Lemart, parceiro musical do Tom, parceirão de papo.

O Tom parece que curtia ajudar viajantes, disse que no passado ficou com um casal de Israel por quase 15 dias, e os conheceu do mesmo jeito que eu, na estrada.
A dupla Tom & Lemart fazem shows aos montes. O Lemart toca violão e guitarra enquanto o Tom canta, toca baixo, lança os samplers, organiza shows e ainda pega mulher aos montes no tempo livre.



O show daquela noite foi bastante divertido, ficamos de papo no bar com um monte de gente. A curiosidade geral era saber o que um brasileiro fazia naquele fim de mundo. Dormi no ônibus e no dia seguinte o programa era guardar os equipamentos, andar 20 km com o ônibus e montar todo o equipamento novamente para o outro show.

O Tom comentou que haveria três shows no próximo final de semana e que se eu quisesse poderia ficar hospedado em sua casa até lá. Ah, detalhe, o último show seria para um grupo de 300 mulheres que escalariam uma montanha próxima. Impossível dizer não.
Naquele dia o momento mais interessante foi ver o Kato brigando com um cara que tava pegando a Marthe, filha do Tom e sua ex-namorada. No final, o Kato que estava bebaço levou a pior e ganhou um corte sangrento no rosto.
No dia seguinte, pé na estrada para Sortland, uma cidade localizada em uma ilha próxima a Lofoten. A cidade não tem muito a oferecer para turistas, então boa parte do programa daquela semana era ir ao bar tomar umas cervejas, que aliás eram caríssimas, cada uma por volta de 5 €.
Sim, os bares tem cobertores para segurar o frio...

Não canso de lembrar da paisagem belíssima da Noruega, com suas montanhas enormes. Vale lembrar que ao contrário dos dias em Lofoten, o clima estava muito bom, céu azul e um baita calorão (padrões Noruegueses, claro).

O Tom mora sozinho, mas sozinho em casa, pelo visto ele não fica nunca. Toda hora tinha gente por lá, fazendo churras, bebendo cerveja e fazendo festa.
Outro programão que fizemos algumas vezes era ir à casa de campo do Tom e de sua família. Lá encontrávamos o pai do Tom, um senhor muito simpático cujo o papo interessante me fez acompanhá-lo na bebida o que teve consequências desastrosas. Além dele, estava sempre por lá o filho do Tom, um garoto de 11 anos muito esperto.

O destaque para o primeiro dia por lá foi a pescaria. Eles possuem um barco adaptado para pesca, minha última tentativa de pesca com a Jy foi um desastre, então essa, com profissionais, tinha que funcionar. E funcionou, pesquei pelo menos uns cinco peixões que naquela noite viraram janta, servidos com batata. Excelente.


Ali na casa de campo, eles tinham todo um arsenal utilizado para caça (que na Noruega é liberada), tinha de tudo por lá, desde pistolas de pressão até calibre 12, com a qual dei alguns tiros... Bem louco!
O dias na Noruega passavam rápido dada toda a diversão que tinha por lá. Mas havia uma coisa me incomodando: o visto Europeu.
Na Europa, brasileiros podem permanecer por até 90 dias. Quando me dei conta da situação delicada que me encontrava faltavam apenas 7 dias para o vencimento do meu visto. Procurando pela internet, não há muita referência ao que pode acontecer no caso de ultrapassar esse limite, parece depender muito do oficial que me pegar na saída, pode não acontecer nada, posso ser banido da Europa e não poder nunca mais voltar. Na dúvida, decidi por não ultrapassar o limite, comprei o tíquete mais barato possível para fora da área de Schengen (zona de livre fronteiras) o país escolhido foi a Croácia, paguei 58 € pelo bilhete.
A despedida do Tom foi bastante legal. Ele fez um excelente bacalhau, bebemos várias, caminhamos com toda uma galera para um acampamento no alto da montanha e ficamos de papo até umas 3 horas e pouco da manhã quando eu ganharia uma carona da gentilíssima Rita até o aeroporto.
Bacalhau e Periquita!

O caminho até o aeroporto foi marcado por um nevoeiro muito bonito.



A próxima parada antes de seguir para a Croácia seria Oslo, palco de uma chacina alguns dias antes. Eu já poderia esperar uma cidade com uma atmosfera pesada e foi exatamente isso o que encontrei.

Encontros e reencontros em Lofoten, paraíso gélido da Noruega

3 de agosto de 2011


Foi interessante reencontrar um parceiro de viagem, ainda mais quando esse alguém é a Jae Yeon (Jy), uma viajante que conheci em Madrid com a qual explorei a cidade e região. Mas agora a viagem seria um pouco diferente, estávamos indo para Lofoten, um arquipélago composto por 4 grandes ilhas no norte da Noruega, lugar que havia sido recomendado a mim mais de uma vez. Ainda mais diferente pois neste caso a ideia seria acampar, algo muito diferente da vida de hostel com a qual ela estava acostumada.
Conversando com um pessoal no ônibus definimos o nosso destino, Henningsvar uma pequena vila de pescadores. No caminho de aproximadamente 5 horas, pudemos colocar boa parte do assunto em dia desde que nossos caminhos se separaram.
Chegando na vila, pudemos apreciar aquela bela paisagem de ilhas montanhosas banhadas pelo frio Mar do Norte. Fomos a um restaurante que nos havia sido recomendado, a ideia seria coletar o máximo de informação possível, especialmente porque a Jy queria porque queria pescar.

Faltou um detalhe importante, estava um frio de rachar, com direito a garoa e tudo mais. A ideia da Jy era de ver o sol da meia noite, mais o máximo que dava para ver naquela noite era o céu nublado da meia noite.

Resolvemos sair para procurar lugar para acampar. Na Noruega e Suécia, pode-se acampar em qualquer lugar, e a ideia era justamente essa, qualquer lugar, bastava encontrar uma grama e lá que iríamos montar o acampamento. Havia um lugar que nos falaram que ficava a uma caminhada de uns 1,5 km, e para lá que fomos.
No caminho encontramos um casal super simpático que achou graça pelo fato de a Jy estar carregando uma daquelas malas de rodinha e ao mesmo tempo querendo acampar (o que mostrava o total despreparo dela para esse tipo de aventura).
De noite, um frio de uns 5°C, merece menção especial o meu saco de dormir salvador que deixou a hora de dormir confortável como um dia quente de verão.

No dia seguinte fomos tentar pescar, caminhamos até a vila para comprar todo o material de pesca, além de alguma comida.

Fomos pescar em uma plataforma e para a nossa surpresa o casal do dia anterior veio ao nosso encontro, desta vez nos convidando para almoçar com eles no restaurante ao lado, onde eles estavam nos observando em nossa tentativa frustrada de pesca. Comi um delicioso bacalhau norueguês (que em norueguês é chamado bacalau). Ao final fomos com eles até sua casa onde eles nos deram alguns casacos para enfrentarmos o frio com mais preparo. Me impressionou tamanha generosidade para com desconhecidos.
Tudo pronto para continuar a nossa pesca, fomos até uma ponte onde havia um casal pescando. A pesca, devo dizer, não foi tão bem sucedida. Em menos de dez minutos perdemos todos os anzóis que tínhamos enroscados em pedras. Felizmente havia ao nosso lado um casal que nos doou dois peixes que ainda se mexiam.
Voltando ao acampamento, acendi uma fogueira  assamos os peixes, junto com batatas, um bife, camarões, uma refeição de primeira. Mas ainda estava lá o frio para estragar qualquer possibilidade de jantar.

Apesar de a ideia inicial ser de seguir até Reine ainda em Lofoten, o frio desanimou a Jy a continuar viajando por ali, ela decidiu voltar para Narvik e seguir de trem até Estocolmo. Uma pena pois, conforme previsto pela Lei de Murphy, após a sua partida, o céu se abriu e o sol começou a brilhar forte. Eu continuei com o meu plano inicial e segui para a próxima parada a cidade de Borg, onde fica o museu Viking.
O lugar é uma tentativa de reconstrução de vida dos antigos Vikings que habitavam toda a Escandinávia e tinham em Borg, o que parecia ser um grande centro de poder.



Saindo do museu, fui comer um bife de baleia. Oportunidade única. A carne tem uma textura esquisita e um sabor forte que lembra um pouco carne de cordeiro. E na saída, comecei a conversar com um cara que mudaria meus planos de seguir em Lofoten, seu nome era Tom e a história continua no próximo post.

O roteiro:

Aula de viagem em Narvik

31 de julho de 2011

A ideia para chegar em Narvik era de carona: fiz cartaz com o meu destino, botei a minha mala no asfalto, bandeira do Brasil e a foto foi essa.

O cartaz serve para que as pessoas saibam que podem me ajudar.
A mala no chão mostra que eu sou um backpacker, e que levo a viagem a sério.
A bandeira do Brasil serve para mostrar que eu sou de longe e que não represento perigo, além de despertar a curiosidade que as pessoas tem pelo Brasil.

Mas, apesar de todas as manhas, a estrada era praticamente deserta, passava um carro a cada dois a três minutos, a maioria destes seguindo para o sul. Já tava percebendo que pegar carona seria um pouco complicado, tinha um ônibuus chegando, pensa rápido... ônibus.

No ônibus, a paisagem montanhosa chamava a atenção. Montanhas rochosas que subiam alto no céu azul e desciam íngremes no mar, isso acontecia também do outro lado, estava praticamente em um corredor de montanhas com o mar no meio, uma paisagem muito especial a qual os Noruegueses chamam de Fiorde (Fjord na grafia de lá).


Graças a internet no celular, comecei a falar com aquela coreana que conheci em Madrid, ela estava na Suíça sem saber para onde ir e perguntou se poderia vir me encontrar em Narvik, claro! Só que ela demoraria uns três dias até chegar, nenhum problema para mim.

Encontrei o Jim na estação de trem. O Jimmy é um dos primeiros participantes do CouchSurfing da Noruega e do Mundo, tem em sua bagagem a impressionante marca de 152 países visitados.

Sua grande meta de vida era visitar todos os países do globo, e para isso ele não costuma se aprofundar na cultura local, e suas viagens são sempre curtas com vários países na sequência. Isso é possível pois ele além de ter um bom emprego, vive na Noruega, um dos países mais caros do mundo, desta forma, para ele, todos os países que vista são destinos baratos. Ainda assim, peguei excelentes dicas de viagem e de roteiro.

Ele é do tipo quieto, mas mais tarde descobri que na verdade ele é cauteloso. Ficava tentando sondar minha opinião (muitas vezes com perguntas esquisitas) e quando via que eu era neutro mesmo para assuntos espinhosos, ele ficava mais tranquilo para soltar a sua própria opinião. Com isso ficamos conversando por muito tempo.

Exemplo de assunto delicado que tocamos foi com relação à invasão nazista que ocorreu em Narvik durante a Segunda Guerra Mundial. Os nazistas ocuparam ocuparam a região por quase 5 anos, sem grandes transtornos para a população local (exceto duas ou três famílias judias que desapareceram), para a população da época, os Ingleses e Franceses foram muito piores por bombardearem a região constantemente durante todo o período. Com isso, as pessoas de Narvik não têm uma opinião tão contrária aos Nazistas, basta ver o cemitério para soldados alemães que morreram na região, muito bem cuidado.

Ao final, acabei ficando com ele por três dias, infelizmente não pudemos fazer muita coisa. A ideia era ir ver um outro fiorde bastante famoso, mas o clima frio e chuvoso não ajudou muito.
Na última noite que fiquei com ele, fui apresentado à sua mãe, que também era uma viajante experiente. Além dela, havia também um casal, ela norueguesa, ele húngaro. Viviam em Budapeste e me convidaram a ficar com eles caso eu passasse por lá. Fechado.

No dia seguinte, fui buscar a Jae Yeon na estação rodoviária. O plano que eu havia imaginado era ficar um dia em Narvik onde o Jim disse que nos levaria em algum lugar, e seguir para Lofoten no dia seguinte.
Quando ela chegou, o plano dela era exatamente o mesmo, porém um detalhe, ela estava com a agenda apertada e queria ir naquele mesmo dia e o ônibus saia em 20 minutos, excelente... Saí correndo para ir buscar a minha mala, felizmente encontrei o Jim na saída e pude me despedir dele.

Nas montanhas de Abisko, o sol da meia-noite!

20 de julho de 2011


A jornada começa com a carona que peguei... O cara se chamava David, um simpático checo que estava de mudança para a Noruega. Ele é talvez um dos caras mais legais que já conheci na vida... Sempre com um sorriso no rosto, estava dirigindo sem parar por quase três dias, por todo o caminho entre a República Tcheca até a Noruega. Decidiu largar tudo para viver em uma fazenda próxima a Narvik.

Sabendo que eu me aventuraria nas montanhas, resolveu me dar um monte de comida que tinha estocada em sua van, que aliás era preparada para grandes viagens, segundo ele, ele foi até a Tailândia duas vezes com ela. Ele disse que se eu quisesse poderia comprá-la por algo entre € 1.000, juro que considerei essa possibilidade seriamente, mas dirigir garante uma dose extra de risco que não estou disposto a correr.
Fui com ele comprar uma barraca em Kiruna, nos despedimos em Abisko.

Chegando no camping, desempacotei a barraca e não era uma barraca, era um abrigo para o sol... Que raiva, e pior que já era tarde, não conseguiria um quarto no hotel, conclusão? Dormi no sofá da recepção, viva o CouchSurfing.
No dia seguinte, deixei a maior parte do peso da minha mochila no hotel e caminhei até a vila de Abisko e sem encontrar uma barraca, peguei uma carona até Kiruna onde achei uma excelente barraca, semelhante a que usei no festival. Agora estava tudo pronto para me aventurar na selva. Tentei conseguir uma carona até Abisko novamente, mas o local não era muito apropriado, caminhei até a estação e peguei um trem.
Saindo da estação fui direto ao Kungsleden (Trilha do Rei), haviam duas lindas montanhas logo a frente e a trilha seguia às margens de um rio de forte correnteza.


A trilha era bem fácil, seguia praticamente plana, e nos trechos de lama, havia tábuas de madeira para facilitar a caminhada.


Após 15 km e 4 horas de caminhada, cheguei em um acampamento na beira do rio, com bastante gente. Entre eles havia um casal de finlandeses que estava caminhando pelo últimos 5 dias em sua primeira aventura do gênero. Eles caminharam desde a Noruega até onde eu estava, uma caminhada e tanto. Muito interessantes e gentis, ficamos de papo até a hora de dormir. No dia seguinte, ficamos de papo no café da manhã até a hora de eu seguir viagem. Disseram-me que se eu passasse por Helsinke, já teria lugar para ficar. Ótimo, pena que não devo passar por lá.
Bem, eu havia planejado subir uma montanha para conseguir ver neve. Eu nunca tinha visto e tinha certeza que seria um encontro impressionante. A trilha desta vez não era tão simples, mata fechada, trilha estreita e de forte subida.


Após uma hora, não haviam mais árvores e subitamente eu tive o encontro tão esperado. Um monte de neve derretendo em um buraco na nascente de um rio, tirei várias fotos, enquanto ria que nem bobo.


O caminho agora seguia demarcado por sinais de pedra como esse:

Após mais alguns encontros, comecei a torcer para não encontrar mais neve. Acontece que a neve quando derrete deixa tudo o que está abaixo lamacento e cheio de mosquitos. Ahhhh os mosquitos, como me esquecer deles? Foram presença constante em todo o percurso da viagem. É quase como uma guerra, quanto mais os matamos, mais eles aparecem. Eu estava usando um repelente bastante eficaz, neste caso, não precisava me preocupar tanto com as picadas.
Não demorou para chegar ao topo da primeira montanha. Eu estava ensopado de suor, e após comer algumas sementes que eu havia levado, resolvi trocar de roupa e seguir caminhando seco.



Segui pelo topo da montanha até poder ver de longe uma ponte que estava apontada em meu mapa. Desci a montanha até encontrá-la, o que levou aproximadamente uns 45 minutos.


A ponte e atrás todo o percurso que fiz.

Errei o caminho, peguei um monte de lama para encontrá-lo novamente,e então resolvi seguir montanha acima. Eu já estava bem cansado, mas mesmo assim resolvi seguir, queria ver o sol da meia noite no topo da montanha que ficava ao lado do hotel, sabia que lá seria um dos melhores pontos para ver tal espetáculo.
A subida foi bem mais tranquila desta vez, não fiquei muito apegado a seguir a trilha, já me sentia seguro o suficiente para decidir meu próprio caminho seguindo o mapa, claro que o mapa não mostrava toda a lama que eu iria pegar e talvez seguindo a trilha eu pegasse menos lama, mas...


Havia um grupo de mosquitos me seguindo durante toda a subida, eu tentava dispersá-los mas nada, vinha o vento e... nada. Passei repelente e os ignorei. Chegando no topo havia algumas pessoas por lá, fiquei de certa forma feliz em ver gente, estava caminhando por quase 13 h sem ver ninguém, sentindo-me quase um selvagem, quando vi pessoas, me senti civilizado novamente.
Haviam me dito que após uma certa altura, os mosquitos não estariam mais lá... Estávamos a mais de 1100 metros e havia MUITOS mosquitos. Mas o que mais me incomodava mesmo era o frio e as roupas molhadas, resolvi trocar ali mesmo, o problema que não tinha mais calça, a solução seria deixar aquela para secar, mas naquele frio, impossível. Fiquei então enfiado no saco de dormir, peguei no sono e só acordei às 23h. Baita preguiça para tirar fotos, mas não dava para perder aquele momento.



Bateu meia noite, o sol brilhando no céu. Toda a minha viagem para o norte e para o alto da montanha tinha como desfecho aquele momento, o lago, as montanhas, tudo se juntava para fazer daquele momento mágico. Mas... olhando para o leste, uma cena inesperada mas ainda assim muito mais bela e rara.
A linda Lapporten em um raríssimo arco íris sob o sol da meia-noite.



Na falta de uma calça apropriada, peguei a calça do protetor de chuva, serviu perfeitamente.
A descida foi uma desgraça. Caminho lamacento na beira do riacho formado pela neve derretendo, íngreme como poucos que eu havia pego e, por ser descida, exige uma dos extra de atenção, qualquer vacilo e você desce o morro rolando. Havia uma pista de esqui e o caminho limpo não tinha árvores, pelo menos isso.

Após algumas horas chegamos no hotel que possuía um acampamento ao lado. Montei minha barraca lá, tomei um banho e fiquei de molho por dois dias.
O cansaço era tão grande que até considerei voltar pra casa. Só em casa a gente relaxa e descansa de verdade. Acampamento não é vida, é sobrevivência. Mas quando esse sentimento chega, o melhor a fazer é seguir em frente e sair procurando por novidades, e foi isso que fiz.

Segui para a Noruega, onde encontraria uma CouchSurfer lendário.

O caminho na Montanha: