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Os problemas da Síria
28 de setembro de 2011
Estava em Kilis, debaixo de um sol infernal, felizmente parou um taxi perguntando se eu iria para Aleppo, nem perguntei o preço e já fui entrando.
Lá dentro, estava uma mulher (usando véu) e um homem com cara de turco. O carro estava cheio de todo o tipo de muamba, principalmente água (??).
Não demorou muito até chegar no controle de fronteiras. Na de saída da Turquia, o taxista deixou um maço de cigarro para o polícial, deve ser amigo, pensei. A saída foi tranquila, sem incidentes, no último policial, mais um maço de cigarros. Esse motorista tem muitos amigos na fronteira.
Chegando na entrada da Síria, no primeiro controle de borda (aqueles que deveriam revistar o carro), o motorista levou um frasco de uns três litros de um líquido que não consegui identificar, entrou no carro e seguiu.
Chegamos na hora do passaporte, o policial olhou e parou na página de saída da Turquia. Lembram-se daquele carimbo de cancelamento? Pois é, o cara identificou um problema na entrada da Síria (o problema era o japonês), mas ele não quis nem saber, se eu quisesse entrar na Síria, eu deveria fazê-lo por Antakya.
Quase que eu mandei o cara tomar naquele lugar, policial FDP. Mas o motorista me tranquilizou dizendo "No problem" fazendo um sinal de dinheiro com a mão. Peguei a nota que eu tinha, cinco dólares, botei na mão dele e milagrosamente, e após mais três frases e um aperto de mão, o policial resolveu deixar eu entrar. Acho que tinha alguma coisa a ver com o dinheiro que dei para o motorista...
Finalmente estava na Síria.
Mas haviam alguns desafios a superar. Minha grana era curta e, enquanto eu estivesse na Síria, eu não conseguiria sacar dinheiro. Não, o problema, só dessa vez, não era o Itaú, as empresas de cartão de crédito resolveram fazer um embargo na síria, e nenhum cartão de crédito funciona por aqui.
A causa para esse embargo é o momento delicado que a Síria está passando politicamente. Há alguns grupos insatisfeitos com a atual situação do governo o que gera alguns protestos. O governo não tem planos para negociar e resolve o problema das manifestações à bala.
E na cidade de Aleppo se vêem tantos problemas quanto se vêem turistas, ou seja nenhum. Não há manifestações em Aleppo, não há tiros em Aleppo. As pessoas daqui apenas acompanham os problemas da Síria pela rede de televisão Al Jazeera, a única não controlada pelo governo, o qual a considera mentirosa e manipulada pelos Estados Unidos.
Desta forma, a população de Aleppo se encontra dividida naqueles que acreditam que há problemas na Síria, e aqueles que afirmam que é tudo mentira. A única coisa que se pode afirmar de fato, é que a situação por aqui não está tão assustadora quanto se passa nos noticiários internacionais.
Para aqueles que acreditam nos problemas, sobra o sentimento de paranóia. Dizem que a polícia secreta está infiltrada em todos os lugares. Não se pode criticar o governo em lugares públicos. Afirma-se pelos cantos que a maioria dos taxistas e garis são pagos pelo governo para manter ouvidos afiados e relatar todos aqueles que fazem comentários desfavoráveis ao governo.
A internet é bastante limitada. Só se pode acessar o facebook através de servidores internacionais. Encontrar Cyber Cafés é um belo de um desafio. Precisei de quase uma hora perguntando em vários lugares por um diferente daquele indicado pelo hotel que, na manhã que fui até lá, estava cheio de oficiais do exército.
Apesar de todos esses problemas, a Síria continua como um país com as pessoas mais gentis, generosas e hospitaleiras que viajei até o momento, sobre elas dedico o meu próximo post.
Postado por
Bruno Teixeira
às
05:01
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Barrados na fronteira, difícil decisão!
25 de setembro de 2011
Reservamos o dia inteiro para tomar caronas até a Síria, era uma distância considerável, mas possível. Para isso, eu e o Yuta pegamos várias caronas. Era a primeira vez dele pegando caronas e ele adorou. A mais especial foi a carona de uma família alemã de origem turca que decidiram ir pelo caminho mais longo e belo.
A última carona foi com o Ahmed e nos deixou em Antakya por volta das 21h, tarde demais para seguir para a Síria, decidimos pernoitar por lá.
Acordamos cedo e fomos comer algo. Tínhamos precisamente 3,5 Liras Turcas, o que é o equivalente a menos de 2€, para duas pessoas, ou seja, nada. Alguém disse nada? Com isso compramos uma água de 1,5 l, um pãozão enorme, e dois Ayran, uma bebida típica da Turquia que não passa de iogurte aguado, que, apesar de esquisito no começo, é viciante.
Antes disso, passamos na loja do Ahmed, o cara que nos deu carona no dia anterior que nos recebeu muito feliz, as pessoas que trabalham com ele não acreditaram em sua incrível história de resgate de um japonês e brasileiro no meio da estrada.
Saímos em seguida para tentar batalhar uma carona até a Síria, foi bastante complicado, pois ao que parece para a fronteira ninguém quer dar carona. Tentamos por duas horas, sendo constantemente "visitados" por locais curiosos e também por um muleque muito chato que ficava falando para trocarmos nossas câmeras e celulares por uma carona.
Enfim, no final demos o braço a torcer e pegamos um táxi, que após uma divertida negociação, nos levaria até Aleppo por U$ 5 cada, uma pechincha. Saiu barato porque havia uma terceira passageira, uma síria muito gata com a qual não trocamos uma palavra.
Chegando na fronteira, era a hora da verdade, tínhamos que falar com os oficiais de fronteira e conseguir um visto para o Yuta. De cara o oficial nem queria pegar o passaporte dele, mas quando eu mostrei o meu com o visto ele decidiu levar para dentro. Após alguns minutos fomos chamados para uma "entrevista" e no final disseram que teríamos que esperar umas 4 horas.
Esperamos uma hora e meia e percebemos que toda a equipe foi trocada, bem melhor ir falar de novo. Mesmo processo, entrevista e uns dez minutos depois descobrimos que o visto foi negado. Ele teria que pegar o visto na embaixada mais próxima de Gaziantep. Naquele momento o oficial olhou para mim e disse, você tem o visto e pode entrar, Síria ou Turquia?
Essa pergunta não foi uma surpresa e eu já tinha me preparado para ela.
O Yuta pode não ser o melhor companheiro de viagem que eu poderia encontrar, mas passa muito mais segurança viajar com alguém do que sozinho, além do mais ele planejava fazer todo o percurso comigo até o Egito, outro agravante é o fato de que ele só veio naquela direção porque eu sugeri, ou seja, seria muita sacanagem seguir viagem e deixá-lo por lá.
Conclusão, acabei voltando para a Turquia e ganhei um carimbo da cancelamento de saída (o que me causaria um tremendo transtorno).
O oficial nos escoltou até o primeiro controle Sírio e por lá batemos um papo com os outros oficiais. Um deles chegou até a pedir que eu tocasse um samba para ele, coisa que eu tentei fazer na mesa.
Por fim, arrumamos uma carona de volta a Antakya e voltamos para o mesmo hotel. No dia seguinte, arrumamos algumas caronas e seguimos para Gaziantep, onde o Yuta poderia conseguir um visto.
As caronas até Antakya:
Ida e volta à Síria:
Postado por
Bruno Teixeira
às
20:27
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