Bavária, Bavária, Bavária, Baváááááriaaa!

26 de janeiro de 2012



A Bavária, ou Bayern em alemão, não dá nome à cerveja à toa, é lar de algumas das melhores cervejas do mundo. É também a região de um povo caloroso e orgulhoso de suas tradições.

Minha viagem por lá começou em Munich, onde ficaria hospedado no apartamento do Kais, um estudante de engenharia oriundo da Tunísia. Ele começou bastante reservado, falando pouco, mas com o tempo entramos em sintonia e o papo começou a fluir principalmente motivado pela minha curiosidade sobre a Tunísia e pela curiosidade dele com relação aos lugares que visitei. Aprendi, por exemplo, que a Tunísia é um dos países islâmicos mais liberais de todos e foi também um dos primeiros a explodir na primavera árabe.


Saímos cedo no dia seguinte, ele para uma aula, eu para conhecer a cidade. O dia estava bastante nublado e frio.


Munique é uma cidade de organização impecável e extremamente limpa, quase não se vê sujeira nas ruas. Comecei naquela manhã caminhando perdido pela cidade até encontrar o centro de informações turísticas e pegar um mapa (que, por incrível que pareça, estava em português) com os lugares mais importantes da cidade. O primeiro deles era o Rindermarkt um lugar cheio de coisas boas para comer.


Em seguida fui à Hoffbräuhaus, um dos lugares mais tradicionais para se tomar uma cerveja, e eu me empolguei com o canecão de litro e uma sopa de cenoura ouvindo música tradicional alemã.




Mais tarde me juntei a um Free Walking tour. O tour foi sensacional, abordando partes da história que teriam passado desapercebido. Foi em Munique que Hitler iniciou sua marcha para o poder. Andamos pela rua na qual Hitler marchou com seus simpatizantes e, após escapar de ser metralhado, foi preso. Naquelas ruas a história do mundo foi definida.



Mais tarde, estacionei em um bar onde provei uma das melhores cervejas que já bebi: Weiss Starkbier (cerveja forte de trigo), canecão de um litro, claro.


Jantei naquela noite com o Kais no bandeijão da universidade, que apesar de ser dez vezes melhor que o da USP, não possui o mesmo charme.

No dia seguinte segui viagem. Escolhi o ponto com melhores chances de conseguir uma carona para Altötting. Após alguns minutos, parou uma russa que falava quase nada de inglês, fomos nos comunicando com linguagem de sinais e substantivos. Percebi que ela fazia um caminho diferente do meu e sem entender tentava questioná-la e ela dizia “OK, OK”. De repente ela para em algum posto de gasolina ao norte de Munich (eu estava no leste), me deu 50 € e mandou disse para eu continuar dali. Eu não entendi absolutamente nada, mas o episódio me rendeu inúmeros minutos de risadas. Peguei o trem e voltei para o mesmo ponto que ela me pegou, e desta vez, após duas caronas, cheguei ao meu destino.

Altötting era uma cidade muito pequena e bonitinha. Tinha uma catedral enorme ao lado de uma igrejinha. O interessante desta igrejinha era a parede externa forrada de quadros e gravuras de pessoas agradecendo por graças alcançadas, um dos que mais me chamou a atenção era um datado de 1946 e desenhos de um campo de batalha.




Tinha que esperar por algumas horas até o Marcus, do couchsurfing poder vir me buscar. Isso não seria um problema se não fosse o frio de rachar. Tomei vários chás e cafés em busca de lugares aquecidos.
Quando o Marcus chegou, percebi de imediato que ele era uma daqueles caras ultra-gentis e atenciosos, tendo o cuidado de me mostrar alguns dos pontos mais importantes daquela cidade. Em seguida, me levou até a cidade de Burghausen que possuía um castelo bastante comprido; havia uma névoa persistente no ar e junto com as luzes, formavam um cenário fantástico.





Ele voltou para o carro enquanto eu desci até o rio Inn, alguns metros montanha abaixo. Atravessei a ponte e pus, pela primeira vez, os pés na Áustria. O Marcus veio me buscar do outro lado e fomos até a sua casa.

Conversamos algumas horas até que a Elisabeth, sua esposa, chegou. Ela era violonista profissional e dava aulas de violão, ajudou o Marcus no jantar que, aliás, estava uma delícia. E claro, regado a cerveja Bávara.
No dia seguinte eu seguiria para o apartamento que eles tinham em Viena. O plano era seguir até Salzburgo de carro com a Elisabeth e de lá, seguir de carona até Viena. Uma aventura gélida que fica para o próximo post.


2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, comecei a ler seu blog e não consegui parar... acabei de notar que são 5 da manhã!!! Parabéns pela viagem e pelo ótimo relato!

Bruno Teixeira disse...

Obrigado pelo comentário! Ainda tem muito mais por vir!!

Abraço!

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